A Samsung claramente cansou de esperar a concorrência e decidiu virar a mesa em relação a como nomeia e vende seus smartphones dobráveis. Com a Apple afiando as garras para lançar seu primeiro iPhone dobrável lá para setembro de 2026, a gigante sul-coreana não vai ficar de braços cruzados no banco de reservas. Tudo aponta para um evento de peso: o Galaxy Unpacked, que deve rolar no dia 22 de julho de 2026, em Londres.

A escolha de Londres não é por acaso, é uma jogada estratégica agressiva. Historicamente, a Samsung gosta de focar seus eventos de verão em Seul, Nova York ou São Francisco, mas fincar a bandeira na Europa, que é um dos mercados premium mais fortes da Apple, serve para mandar um recado claro meses antes do tal “iPhone Ultra” ou “iPhone Fold” dar as caras no mercado. A ideia da coreana é abrir a pré-venda já no dia do anúncio e colocar o aparelho nas prateleiras no começo de agosto, garantindo uma dianteira vital.

A confusão dos nomes: Wide, Ultra ou só Fold 8?

Antes de avançar, é preciso desenrolar a bagunça de nomenclatura que circulou nos vazamentos. Boa parte do mercado esperava dois aparelhos com formato de livro: o Z Fold 8 padrão (mais alto, sucessor do Fold 7) e o Z Fold 8 Wide (o novo modelo mais largo). Mas parece que, aos 45 do segundo tempo do desenvolvimento, a Samsung inverteu a lógica. Uma certificação Bluetooth confirmou que o modelo alto (SM-F976) vai se chamar Galaxy Z Fold 8 Ultra. Isso significa que o modelo mais largo (SM-F971U), que é o grande foco desta análise, deve chegar às lojas simplesmente como “Galaxy Z Fold 8”, sem o “Wide” na caixa. Vamos continuar chamando de Wide aqui apenas para facilitar a distinção.

O que torna esse cenário empolgante é que, pela primeira vez, teremos dois dobráveis em formato de livro lançados de uma vez só, acompanhados pelo Flip 8. É uma bifurcação na linha Fold: um modelo largo e mais leve focado em mídia e multitarefa, e outro mais alto e recheado de câmeras para os power users. E a aposta é alta. Relatórios da cadeia de suprimentos indicam que a produção inicial do modelo Wide teve um acréscimo de 200 a 300 mil unidades em relação ao plano original, alcançando a paridade de produção com o Fold padrão e cortando um pouco o volume do Flip. Ninguém infla a produção assim se não tiver certeza de que o produto tem mercado.

O motor e as telas do novo dobrável

Falando de hardware bruto, a ficha técnica esperada impressiona. A tela interna finalmente adota uma proporção 4:3 num painel LTPO OLED de 7.6 polegadas. É o primeiro dobrável da marca com esse formato mais curto e largo, lembrando mais as proporções de um iPad mini do que a tela esticada de um smartphone tradicional. A tela externa (cover screen) também ganhou muito corpo: agora são 5.4 polegadas com proporção de 4.7:3, o que resolve definitivamente aquele problema crônico das telas tão estreitas que serviam quase exclusivamente para checar notificações. Ambas as telas entregam até 2.600 nits de brilho máximo, HDR10+ e taxa de atualização adaptativa de 1 a 120Hz.

Por baixo do capô, o bicho vai rodar com o Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy, o mesmo chip turbinado que vimos no Galaxy S26 Ultra. Nenhuma variante com Exynos foi reportada para a linha Fold de 2026. Em termos de memória, estamos falando de opções parrudas com 12GB ou 16GB de RAM (LPDDR5X) e armazenamento de 256GB, 512GB ou 1TB (UFS 4.0), sem gaveta para MicroSD. Para segurar o tranco disso tudo, a expectativa é que ele venha equipado com uma bateria de aproximadamente 4.800 mAh, a maior já colocada num dobrável da linha Fold.

O ecossistema sustentado pelos gigantes

No entanto, tentar entender a estratégia de dominação em telas grandes da Samsung olhando apenas para os dobráveis super premium é enxergar só metade do quadro. O terreno para essa mudança de foco já está muito bem pavimentado por aparelhos acessíveis e de produtividade bruta, como o Galaxy Tab S9 FE Plus 5G. Ele representa a espinha dorsal do ecossistema e prova que a Samsung domina a engenharia de dispositivos parrudões para o uso contínuo.

Lançado originalmente com o Android 13 e a interface One UI 5.1, o Tab S9 FE+ foge da arquitetura Qualcomm e aposta na prata da casa, rodando o chipset SAMSUNG Exynos 1380 (um Octa-core com quatro núcleos Cortex-A78 a 2.4 GHz e quatro Cortex-A55 a 2.0 GHz, processamento de 64 bits) alinhado à GPU Mali-G68 MP5. Com 8 GB de RAM e 128 GB de armazenamento base, ele tem um trunfo que o Fold não oferece: suporte a expansão via MicroSDXC até imensos 1024 GB.

A usabilidade aqui brilha numa tela TFT LCD gigante de 12.4 polegadas. Sua resolução de 1600 x 2560 pixels (entregando 243 ppi de densidade) rodando a 90Hz e com suporte a 16 milhões de cores cria um baita painel visual para quem não quer investir o valor de um carro num smartphone dobrável. Mesmo sendo um tablet focado em custo-benefício, as conectividades são excelentes: suporte a rede 5G com velocidades de download que podem bater 3790 Mbps (e upload de 1280 Mbps), Wi-Fi 6 (802.11 a/b/g/n/ac/6), Bluetooth 5.3, e um pacote robusto de navegação GPS que inclui GLONASS, BeiDou, Galileo e QZSS.

O pacote físico também é muito competente. Estamos falando de um dispositivo que mede 285.4 x 185.4 x 6.5 mm e pesa 628 gramas, contando ainda com certificação de resistência à água. A configuração de câmeras entrega o feijão com arroz bem temperado, trazendo um módulo duplo traseiro (8 Mp + 8 Mp) com autofoco e estabilização digital que grava vídeos em 4K a 30 fps, além de uma câmera frontal caprichada de 12 Mp para aguentar todas as reuniões online. Para garantir que nada disso desligue no meio do dia, a Samsung embutiu uma bateria “monstra” de LiPo com incríveis 10.090 mAh de capacidade, recheada de sensores como acelerômetro, giroscópio, bússola e leitor de impressão digital.

Seja empurrando os limites do formato de bolso contra a Apple através do Z Fold 8 Wide, ou oferecendo uma central multimídia acessível e com bateria quase inesgotável com o Tab S9 FE+, a estratégia coreana é uma só: não deixar espaço na mesa. A corrida pela produtividade multitarefa em telas largas já começou, e a Samsung está tentando garantir que você invariavelmente acabe com um aparelho da linha Galaxy nas mãos.