20 de May de 2019

Alimentação, saúde e consumo consciente

Horta Orgânica Imagem: reprodução internet

A evolução técnica e tecnológica que as sociedades vivenciaram desde a revolução industrial modificou imensamente nosso cotidiano. Cada vez com menos tempo livre, buscamos por alternativas que agilizem as atividades que realizamos todos os dias, incluindo uma de nossas necessidades mais básicas: a alimentação.

Que a indústria alimentícia facilitou a vida de quem não tem tempo ou vontade de cozinhar é um fato que não podemos negar. Mas a pergunta é: a custo de quê? Se paramos para ler a informação contida nas embalagens desses produtos sobre os ingredientes utilizados em sua produção, percebemos a quantidade de açúcar, sódio e substâncias químicas existentes entre conservantes, estabilizantes, aromatizantes, corantes, antioxidantes e acidulantes. Todos esses ingredientes, consumidos em excesso, são comprovadamente prejudiciais à saúde, tendo sido a má alimentação considerada a principal causa de problemas como obesidade, diabetes, hipertensão e complicações cardíacas. Alguns ingredientes, como o Glutamato Monossódico, têm tido seu consumo associado inclusive com problemas neurológicos como o Alzheimer e a doença de Parkinson.

Mesmo quando tratamos de produtos naturais, não estamos imunes à ingestão de substâncias maléficas. Segundo um estudo realizado Instituto Nacional de Câncer (Inca), os brasileiros lideraram o ranking mundial de consumo de agrotóxicos e a Organização Mundial da Saúde (OMS), bem como o próprio Inca, já alertam sobre a relação do uso de alguns herbicidas com o desenvolvimento de câncer.

Se a saúde dos consumidores não é uma prioridade para as grandes empresas da indústria alimentícia e do agronegócio, cabe a nós nos defendermos desses males. A conscientização sobre estas questões e a preocupação com aquilo que ingerimos são as bases para a busca por produtos de maior qualidade, na comparação entre os que estão disponíveis para nosso consumo.

Conversando sobre o assunto, conheci os jovens Gustavo Braccialli, Rafael Moreira e Luiz Ferreira, que estão estruturando um projeto em Marília baseado nesses ideais. O S Vida – Produtos de Origem é uma iniciativa que busca oferecer produtos alimentícios de qualidade, usando como matéria-prima ingredientes orgânicos e resgatando processos de preparação dos alimentos mais naturais, sem utilização de aditivos químicos ou de processamentos complexos como os realizados pela indústria do ramo. “O projeto surgiu de um estudo da questão de como era a alimentação antigamente e como alguns alimentos eram produzidos”, contou Gustavo. “Algumas carnes eram feitas de um jeito e hoje é totalmente de outro. E por quê? Aí você começa a ver que tudo tem um pouco do dedo da indústria. Por exemplo, o bacon que a gente produz demora 14 horas para ficar pronto. Um bacon que a gente encontra no mercado demora 4 minutos para ser processado, porque é uma defumação química, que acelera a produção e os ganhos”, completou.

Da esquerda para a direita: Gustavo Braccialli, Renata Bonini, do Café Dona Santina, Luiz Ferreira e Rafael Moreira, no evento Mesa ao Vivo, da revista Prazeres da Mesa, em São Paulo.
Da esquerda para a direita: Gustavo Braccialli, Renata Bonini, do Café Dona Santina, Luiz Ferreira e Rafael Moreira, no evento Mesa ao Vivo, da revista Prazeres da Mesa, em São Paulo.

O nome do projeto remete à ideia principal: a preocupação pela origem dos produtos. “O S Vida vem no contexto de trazer a origem, realmente saber como os produtos foram plantados, como os animais foram criados, a qualidade de vida, como foram abatidos.”, explicou Gustavo. “E além de saber de onde vem o alimento, é preciso todo um trabalho de conscientização de o que está sendo ingerido, a questão da saúde e até mesmo a questão ambiental em relação a desmatamento e proteção do solo”, complementou Luiz.

Os ingredientes são orgânicos e produzidos na região de Marília. “Nosso intuito realmente é esse: fazer essa ligação com o pequeno produtor que não é valorizado, não consegue entrar nos meios que outras empresas maiores conseguem, é explorado e fica refém dessa situação. Às vezes o frescor e a qualidade estão do nosso lado e valorizando o pequeno produtor a gente busca trazer riqueza para a nossa região e qualidade para os pratos.”, salientou Gustavo.

A relação entre saúde e alimentação é tida como clara há milênios, sendo inclusive tratada pelo considerado pai da medicina, Hipócrates,  que há quase 2500 anos já defendia que “o homem é aquilo que come” e que  “o vosso alimento seja o vosso primeiro medicamento”. E você? Sabe o que anda comendo?

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