Descriminalização das drogas: vereador delegado questiona julgamento do Supremo e omissão da sociedade

Especial da Semana

Vereador Wilson Damasceno cobra postura da sociedade. Foto: Assessoria de Imprensa
Vereador Wilson Damasceno cobra postura da sociedade. Foto: Assessoria de Imprensa

Contribuindo com a promoção do diálogo e esclarecimento promovido pelo Marília Global, junto à população, sobre a descriminalização das drogas, o vereador e delegado da Polícia Civil, Wilson Carlos Damasceno (PSDB) concedeu entrevista exclusiva.

Ele disse que o julgamento que envolve a possível descriminalização das drogas, no STF (Supremo Tribunal Federal), pode resultar em um dano irreparável para toda a sociedade. Ele afirmou que as pessoas estão alheias ao que está acontecendo e não estão se mobilizando para sensibilizar os ministros, a fim de evitar que a medida seja aprovada. Ele disse também que vai apresentar, na Câmara Municipal de Marília, uma moção de repúdio ao julgamento no STF.

Damasceno destacou que o STF está analisando o caso de um cidadão que foi flagrado com uma pequena porção de maconha, sendo condenado por ser usuário. Em sua defesa, o homem alegou que tem o direito individual de decidir o que é melhor para si tendo, portanto, o direito de decidir se deve usar ou não maconha. Conforme o vereador delegado, já existe legislação vigente em relação a pessoa que é usuária de drogas e não é preciso mudar essa situação.

“Já está previsto em lei que o usuário deve receber tratamento diferenciado. Uma vez caracterizado que a droga em seu [dele ou dela] poder era para consumo próprio, ele é ‘condenado’ a procurar um tratamento, é orientado pela Justiça, pelo Ministério Público e também passa por cursos orientando sobre os riscos das drogas”, explicou.

Caso o julgamento no STF seja favorável à descriminalização da maconha, Damasceno entende que será um desserviço pois ele acredita que a decisão vai fazer com que as famílias percam a possibilidade de saber se os filhos estão envolvidos com esse entorpecente.

“Hoje, muitas vezes o jovem é flagrado com drogas pela polícia e os pais sequer tem conhecimento que ele era usuário. Se o julgamento do STF prosperar, nós perderemos mais essa ferramenta e os dependentes serão os grandes prejudicados”, ressaltou.

Ele foi ainda mais além, destacando que a maconha é a porta de entrada para outras drogas mais pesadas. “Ao longo dos anos de experiência como voluntário na orientação à prevenção ao uso de drogas, nós ouvimos relatos de usuários que destacam ter começado com a maconha, antes de chegar às drogas mais pesadas e fatais. Até mesmo o álcool, que é lícito, é um importante ingrediente para esse fenômeno”, disse. Conforme o vereador, que também atua como delegado da Polícia Civil, vários usuários flagrados em “biqueiras” (locais onde são vendidas diferentes drogas), alegam que foram procurar maconha e não encontrando esse entorpecente, aceitaram crack, por exemplo. “Isso nos faz pensar que a descriminalização da maconha vai ampliar o consumo de outras drogas, já que o entorpecente causa confusão mental e efeitos que, na falta dela, vão resultar na busca de drogas mais potentes”, disse.

Damasceno lamentou o fato de a sociedade estar omissa e não estar se mobilizando para sensibilizar os ministros, para que avaliem de forma responsável a questão.

“A sociedade está inerte. Não só em relação a essa questão, mas também em relação ao álcool. Todo mundo acha normal o consumo do álcool, que provoca danos em tantas famílias. Agora é a discussão da descriminalização da maconha. A sociedade precisa enviar e-mails aos ministros, ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ao Congresso Nacional e as forças judiciárias e políticas, para que esse julgamento não tenha um resultado desastroso. De minha parte, além de fazer tudo isso, vou apresentar uma Moção de Repúdio na Câmara Municipal, contra esse julgamento”, destacou.

Sobre Carlos Teixeira 106 Artigos

Ele é jornalista com conhecimento em diferentes mídias (rádio, jornal, televisão e internet) e responsável pela empresa “O Porta Voz – Assessoria de Comunicação”.

Entre na conversa...