18 de September de 2018

Dengue: outra vez,“10 a 0 para o mosquito”

combate à dengue
Deve-se intensificar combate ao mosquito da dengue nesta época do ano de muitas chuvas

A revista Época em sua Edição 912, p.32 publicou em sua coluna “NOSSA OPINIÃO, uma matéria intitulada “A Peste da Ineficiência” onde afirma que para derrotar a dengue, o chikungunya e a microcefalia, o Brasil vai ter de vencer também a epidemia de descaso do setor público”.

[contextly_sidebar id=”aypl5CgD8s6dYA6eTJDsmF8IhVI3naW0″]A revista justificou seu pensamento, argumentando que são dois os principais entraves. “O primeiro é a existência, no Brasil, de políticas públicas pulverizadas e incertas. Por lei, é responsabilidade dos municípios organizar a prevenção, com campanhas educativas, equipes de combate de criadouros e aplicação de inseticidas. Ao governo federal, cabem as diretrizes e envio da verba. Aos estaduais, oferecer auxílio. Na prática, as prefeituras economizam com a prevenção nos períodos de trégua dos surtos. Em casos mais graves, orientam-se pelo calendário eleitoral e pela tentativa de evitar pânico na população. O segundo entrave diz respeito à morosidade nas inovações científicas, em especial por falta de investimentos”.

Vamos aos fatos levando em conta que, por razões climáticas, dois fatores colaboram com a trégua dos surtos: estiagem e frio, que ocorrem alguns meses por ano.

Pelo que vem sendo divulgado, em 11/4/2015 o governo estadual teria aberto processo seletivo para a contratação de 460 desinsetizadores (“desins”) e 40 motoristas (500 no total) para a SUCEN, para todo o Estado. O chamamento dos aprovados ocorreu somente em julho. Marília teria recebido 26 desinsetizadores e 3 motoristas, sendo que apenas 1 teria assumido, pois dois deles já haviam encontrado outras ocupações. Esses servidores contratados para atuar em Marília, teriam trabalhado até setembro/2015. Posteriormente esses contratos temporários teriam sido prorrogados por mais 89 dias, findando-se em 11/12/2015. Porém durante esse prazo de prorrogação, aqueles designados para Marília teriam atuado por apenas 30 dias (mais especificamente junto ao Habitacional Monsenhor J. B. Toffoli), sendo que os restantes foram enviados para outras cidades da região.

No final de 2015, circulou, também, a informação de que o Governador Alckimin teria informado que até o mês de janeiro/2016, os mesmos 500 servidores seriam recontratados em razão da capacitação adquirida, mas que isto não teria ocorrido por entraves jurídicos e a solução encontrada teria sido o chamamento dos remanescentes daquele concurso, a partir do 501º classificado. O início dos trabalhos era aguardado para 01/02/2016, mas ao que consta nenhum dos desinsetizadores que atenderam a este chamado, teria se interessado em trabalhar na cidade de Marília. Então um novo processo seletivo estaria sendo aberto com data ainda a ser divulgada.

Quanto aos serviços de nebulização de inseticidas e larvicidas, estes foram terceirizados pelo Município à empresa AGROATA, de Três Lagoas/MS, que no ano passado recebeu R$ R$ 1.257.000,00 (contratada com dispensa de licitação), por apenas uma passada em cada local. E agora receberá mais R$ 2.920.320,00 em 12 parcelas de R$ 243.360,00. Bem mais do que o dobro do que recebeu pelo contrato anterior, apenas pelo fornecimento da mão de obra, pois ao que consta, recebe do poder público o inseticida, a assessoria técnica e o treinamento dos seus empregados.

Enquanto isso já tendo passado o período de trégua, a cidade – que já padece de um crônico placar de 10 a 3 nas votações dos projetos na Câmara – agora tem que conviver com outro tipo de placar, por sinal bem mais sinistro (diante dos 97 casos de dengue, já registrados): o de, “10 a 0 para o mosquito!”

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