Juro estratosférico aniquila consumidores endividados

Foto: Internet.

A facilidade cria libertinagem! Nunca os juros cresceram tanto como vêm se apresentando a cada momento. Parece incrível, mas as taxas do cheque especial atingiram o recorde de 311,3% ao ano, o que significa mensalmente média de 12,51%. Por outro lado, o cartão de crédito vem subindo sistematicamente. Sua taxa anual, divulgada pelo Banco Central, atinge 471,3%, o que significa 15,63% ao mês. Os chamados “cartões fidelidade” cobram ainda mais.

Com esses percentuais, principalmente no crédito rotativo, que é o mais alto hoje, uma dívida de R$ 1.000,00 contraída agora atingiria R$ 5.713,00 em 12 meses.

As justificativas de uma taxa de juros tão alta decorrem do aumento da inadimplência e risco do desemprego, dentre outras situações apontadas. Porém, com taxas tão elevadas, o endividamento das famílias acelera-se e a questão vai se resumindo numa equação danosa para a economia: come-se ou se pagam juros.

A falta de orientação das pessoas no uso do cartão de crédito e a facilidade criada por bancos e lojas são um tiro no pé, pois o aumento dos juros em cadeia pode tornar o produto inviável. Hoje, ter potenciais consumidores inadimplentes significa menos consumo, menos negócios e menos indústrias.

Cabe apontar que a educação financeira é prioritária, além de um bom controle dos gastos pessoais. A eliminação de uma dívida tão agressiva pode ser efetuada através de outras formas de empréstimo, inclusive o consignado, cuja taxa de juros é bem menor e gira em torno de 30% ao ano, algo em torno de 2,21% ao mês. É uma taxa considerada alta, mas que pode viabilizar a sobrevivência das pessoas e auxiliá-las a colocar as sua dívidas em ordem ou em condição administrável.

Infelizmente, para ter acesso ao crédito consignado e ter a condição de sair do rotativo do cartão ou do cheque especial, a pessoa precisa estar empregada. Por isso, o acesso fica difícil a essa modalidade de crédito, em virtude da situação de emprego no País.

Para os desempregados, um caminho alternativo é o empréstimo pessoal, no qual os juros costumam ser bem mais baixos. Mas, conseguindo efetuar tal procedimento, o que é difícil,  o devedor precisa ter disciplina e não utilizar temporariamente o cartão de crédito, para manter a condição mínima de seu sustento até novamente se empregar.

O Bacen, através do Copom, não demonstra grande estimulo na redução do juro, que está no patamar de 14,25% ao ano, mas existe a possibilidade, em havendo a redução da inflação, de uma redução das taxas. Se isso ocorrer, certamente os juros das diversas modalidades de financiamento também caem, por dois motivos: redução da Selic permite ao banco maior flexibilidade; e o retorno do emprego eleva a condição de regularização de dívidas, com a retomada do consumo, diminuindo os riscos de perdas para o sistema financeiro.

* Reginaldo Gonçalves é coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina.

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