Boletim discute a reorganização da rede estadual de ensino de São Paulo

Alunos paralisam as atividades da UNESP se mobilizando contra a reorganização escolar. Foto: Facebook.

A reorganização da rede estadual de ensino de São Paulo, que vinha sendo implementada ao longo de vários anos, foi subitamente interrompida devido a protestos dos estudantes que contaram com o apoio de parte da população.

O último Boletim IDados da Educação, lançado nesta semana, analisa as propostas para a reestruturação, aponta os pontos fortes da reforma e deixa duas perguntas importantes para o debate.

A primeira é indagar por que os alunos e a sociedade protestaram contra uma reforma que seria benéfica para a maioria dos alunos e famílias. A segunda são as lições que podem ser utilizadas por outras redes estaduais e municipais de ensino em todo o país. A análise apresentada pelo Boletim IDados da Educação proporciona informações para qualificar esse debate. Confira os principais tópicos para essa discussão:

Motivação

A reforma foi motivada por um fator principal: a redução demográfica. Isso levou à elaboração de um plano que contemplava otimizar o uso das escolas. Os principais benefícios almejados seriam dois. O primeiro seria oferecer vagas mais perto de casa, o segundo foi o de segmentar as escolas por níveis – séries iniciais, finais e ensino médio.

Resultados

Quanto à divisão das escolas em segmentos, os resultados obtidos até o momento indicam a separação dos alunos por ciclo resulta em ganhos equivalente a aproximadamente 60% no ano escolar.

Eficiência

O estudo aponta que praticamente não houve ganhos de eficiência – a maioria dos alunos continuou estudando em escolas de tamanho aproximadamente iguais às de antes e, de fato, houve um aumento de ineficiência no uso de recursos – o número de escolas e de professores não se reduziu na mesma proporção do número de alunos.

Estratégia

A estratégia de reorganização funcionou muito bem durante os últimos 10 anos até no ano de 2015, quando o governo estadual passou a fazer publicidade sobre o tema. Por uma série de razões que não são analisadas no Boletim, houveram movimentos da sociedade que levaram à interrupção do processo. Mas até que isso acontecesse, grande parte da reforma já havia sido implementada.

Lições para o Brasil

A reorganização da rede de ensino de São Paulo traz importantes lições sobre o que se deve fazer e o que se deve evitar. Reformas dessa natureza são imperativas na maioria dos municípios e redes estaduais de ensino. O número de alunos diminuiu, a repetência diminuiu e na maioria do país ainda há um espaço grande para concluir a municipalização do ensino.

Reorganizar as escolas de forma adequada pode contribuir para melhorar a qualidade dos espaços escolares, seu uso, reduzir custos e usar os recursos para melhorar a qualidade do ensino.

Sobre Beto Cavallari 181 Artigos

Sou editor do jornal online MG e escrevo sobre política, cultura, tecnologia e educação.

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