Em visita a Matra, o juiz Márlon Reis diz que eleições brasileiras são as mais caras do mundo

Juiz Márlon Reis aponta os motivos que fizeram de 2015 um ótimo ano político. Foto: Matra.
Juiz Márlon Reis aponta os motivos que fizeram de 2015 um ótimo ano político. Foto: Matra.

O Juiz Márlon Reis afirmou na quarta (25) durante visita à MATRA que uma pesquisa do Instituto Helen Kellogg, da Universidade de Notre Dame (Estados Unidos), revelou que no Brasil, para cada real doado, as empresas doadoras recebem um retorno de R$ 8,50 em contratos públicos. “É um retorno de 850%, similar ao do narcotráfico. Não conheço taxas de retorno como essa na iniciativa privada”, disse.

Por isso, as eleições brasileiras são as mais caras do mundo. “O somatório global dos valores movimentados em campanha no Brasil são superiores até mesmo ao que se gasta nos Estados Unidos, com a diferença que nos Estados Unidos eles têm um PIB (Produto Interno Bruto) 13 vezes maior que o nosso. É de uma iniquidade imensa isso. Setenta e seis bilhões de reais foram consumidos pelos candidatos nas eleições de 2014. Claro que não foram por todos os candidatos”.

Um dado alarmante apresentado pelo magistrado é que 70% dos eleitos para o Congresso Nacional tiveram campanha financiada por empreiteiras e bancos. Por isso, o Juiz defende a retirada desse modelo.

“Não pode ser dado como legal algo que é evidentemente iníquo. A Operação Lavo Jato é o fim desse debate. Os maiores financiadores de campanha têm seus dirigentes presos por fazerem destinação de verbas a partidos políticos ou dirigentes partidários. Então, acabou o debate. Quem insistir nisso, automaticamente, aceita o jogo como ele é hoje, e este jogo não é aceito pela sociedade brasileira. As eleições têm que ser baratas e a definição do voto tem que ser programática e não econômica”.

Sistema eleitoral e o financiamento de campanha são dois elementos casados

“É preciso um estar adequado para o outro estar viabilizado. Hoje nós temos eleições em que prevalece o abuso do poder econômico. Isso está comprovado por pesquisas acadêmicas como da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), por exemplo, que demonstra que os eleitos gastam, em média, cinco vezes mais que os não eleitos. Por outros lado, a fonte de dinheiro iníqua, são empresas que têm interesse em influenciar o comportamento do parlamento na definição do Orçamento, que é onde se destinam as verbas públicas. Este é o ponto central”.

 

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Organização Não Governamental sem fins lucrativos e político-partidários, que visa transparência na gestão pública.

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