18 de September de 2018

Pesquisa dá nota baixa para a qualidade da água captada e distribuída em Marília

Tanques de tratamento de água do Daem. Foto: Divulgação.
Tanques de tratamento de água do Daem. Foto: Divulgação.

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) divulgou a pesquisa Qualidade das Águas Superficiais no Estado de São Paulo 2015. De acordo com o jornal Marília Cidade, a pesquisa apontou que a qualidade da água que chega nas torneiras dos marilienses é apenas “regular”.

O levantamento se baseia no IAP (índice de Qualidade das Águas para Fins de Abastecimento). Esse índice estabelece notas de 0-100 divididas na seguinte classificação de cores: azul é o considerado muito bom; verde, bom; amarelo, regular; vermelho, ruim; e roxo, péssimo.

Quatro pontos de captação de água distribuída para a população apresentaram baixa pontuação e qualidade regular, daí aparecerem na classificação amarela. O Córrego da Água Norte recebeu nota 40; o reservatório Cascata, 47; o Reservatório do Arrependido, 37; o Rio do Peixe, 39.

Estresse hídrico

A falta de fiscalização sobre o Daem (Departamento de Água e Esgoto de Marília), a falta de cuidado com as redes de distribuição de água, a “novela” sobre a obra de afastamento e tratamento do esgoto e o histórico sucateamento da autarquia pelo poder público municipal não são os únicos fatores que influenciam o problema de água na cidade.

Para a Cetesb, Marília é uma cidade que apresenta estresse hídrico no compartilhamento do recurso natural. Isso faz com que a Companhia monitore mais de perto os reservatórios daqui em comparação com outras cidades do mesmo porte ou maiores.

Na região de Marília, apontou o Marília Cidade, são constantemente monitorados três reservatórios utilizados como captação para abastecimento público. O primeiro, o reservatório do Córrego Água do Norte, manteve a ponderação média do índice similar a 2014. Entretanto, notou-se piora da qualidade em relação a 2014 com o aumento da densidade fitoplanctônica em três amostragens, que indica a quantidade de algas na água. Também houve aumento da concentração de células de cianobactérias, também chamadas de “algas azuis”. As algas azuis liberam toxina na água, trazendo odor e paladar desagradáveis.

No reservatório Cascata, notou-se melhora na contagem de células de cianobactérias, que em 2014 haviam ultrapassado o índice recomendado. Já o reservatório Arrependido teve uma piora no índice médio. Classificado como Bom em 2014, passou para regular em 2015. Os fatores que contribuíram para isso foram: presença de dominância de grupos fitoplanctônicos em todas as amostragens; e densidade de células de cianobactérias superior ao recomendado pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

Falta de tratamento do esgoto

O Marília Cidade falou com o especialista Ivan Fiorini sobre o levantamento feito pela Cetesb. Para Fiorini, a baixa qualidade da água captada e distribuída para a população de Marília tem ligação com a falta de tratamento de esgoto na cidade, que é jogado in natura nos mananciais.

“Se as obras do esgoto não tivessem sido paralisadas e estivessem prontas, a situação já seria melhor. Pode ser que hoje a água já fosse considerada boa ou até mesmo ótima, ou seja, verde ou azul na classificação da Cetesb. A água de qualidade regular precisa de mais produtos químicos para ficar boa para o consumo, o que significa resíduos que chegam até a população e encarecimento do processo’’, disse.

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