Governo do Estado discute Plano de Prevenção à Influenza Aviária

Comitê se reuniu na sede da Secretaria - Foto: Divulgação / Secretaria da Agricultura Pecuária e Abastecimento

O Comitê de Sanidade Avícola realizou reunião na quarta-feira, 21 de dezembro, na sede da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, na Capital para falar sobre o Plano Estadual de Prevenção à Influenza Aviária (IA) e Abordagem dos Problemas Relacionados a Saúde Humana. A iniciativa é elaborada por orientação do governador Geraldo Alckmin e coordenada pela Secretaria de Agricultura, estabelecendo os procedimentos para a prevenção da IA, que representam riscos à saúde animal, assim como a adequada abordagem aos problemas relacionados à saúde humana.

O Plano foi discutido por Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura, Telma Carvalhanas e Patrícia Marques Ferreira, da Secretaria da Saúde; Vilma Geraldi, da Pasta do Meio Ambiente; Fabrício Rassy, da Fundação Parque Zoológico; Fernando Gomes Buchala, coordenador da Defesa Agropecuária (CDA) da Secretaria de Agricultura e Luciano LaGatta, coordenador do projeto. Os planteis paulistas não registraram até hoje nenhuma ocorrência da Influenza.

O Grupo Especial de Atendimento à Suspeita de Enfermidades Emergenciais (Gease), da CDA, realizará o atendimento relacionado à ocorrência de Influenza Aviária no Estado de São Paulo, contribuindo para sua erradicação. “A difusão da informação é uma das ferramentas mais eficazes para minimizar os impactos sociais e econômicos da IA, maximizando os resultados das ações de controle em eventos de natureza epidêmica, desta forma torna-se importante a comunicação dos riscos a todos envolvidos”, afirmou Arnaldo Jardim.

Competências

A Secretaria de Agricultura envolveu todos os seus departamentos na prevenção da doença, especialmente a CDA, que normalmente já executa atividades de vigilância epidemiológica, controle e erradicação de doenças em animais; e o Instituto Biológico (IB), que realiza exames laboratoriais para o diagnóstico de doenças em animais e para o monitoramento epidemiológico em seus departamentos: Unidade Pesquisa e Desenvolvimento (UPD) de Bastos e o Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio Avícola (Captaa) de Descalvado.

Como a doença não discrimina as aves criadas em estabelecimentos comerciais das silvestres, a Secretaria do Meio Ambiente tem um papel fundamental e participa desse esforço conjunto por meio do Departamento de Fauna (Defau), disponibilizando o cadastro georreferenciado dos empreendimentos de fauna em cativeiro e informando à CDA sobre as autorizações concedidas pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) para o destino de carcaças e dejetos resultantes do sacrifício das aves dos estabelecimentos avícolas industriais acometidos. À Fundação Parque Zoológico cabe informar à CDA o recebimento de aves da ordem charadriformes, anseriformes e galiformes para colheita de amostras para vigilância ativa para Influenza Aviária, assim como a ocorrência de óbitos ou sintomatologia respiratória nas aves destas ordens, além de realizar ações educativas junto aos funcionários e visitantes.

A Secretaria de Saúde atuará, por meio da Coordenadoria de Controle de Doenças e do Centro de Vigilância Epidemiológica – Divisão de Doenças de Transmissão Respiratória, monitorando o risco à saúde humana e a Secretaria de Segurança Pública cuidará da manutenção da ordem pública e garantirá a execução das atividades de defesa sanitária animal.

Todas as ações previstas nesse plano estão de acordo com as normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que, por meio do Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro SP), em Campinas, apoiará o IB na realização de exames confirmatórios de amostras resultantes de Síndrome Respiratória e Neurológica das Aves e de resultados positivos nos exames de triagem.

Influenza Aviária

A IA é uma doença infecciosa das aves causada por um vírus da família Orthomixoviridae, que apresenta alto índice de patogenicidade em galinhas de até seis semanas de idade. Devido às contínuas mudanças genéticas e sua capacidade de adaptação a novos animais e ao ser humano, o vírus representa um risco desconhecido à saúde pública. Estudos indicam que embora normalmente o vírus apresente baixa malignidade, pode sofrer mutações e gerar cepas de alta patogenicidade, capazes de promover mortalidade em cerca de 90% das aves afetadas. Em relação à saúde pública, os dados disponíveis indicam que os vírus de influenza aviária, até o momento, como dos tipos H5 e H7, podem resultar em infecção humana.

Como a enfermidade não foi diagnosticada no Brasil, no caso da constatação de Influenza Aviária em plantéis avícolas, é obrigatório o sacrifício dos animais acometidos, a fim de manter o plantel avícola nacional indene. As medidas de prevenção, controle e erradicação de enfermidades exóticas ou emergenciais estão amparadas na legislação em vigor. O impacto do risco da ocorrência de IA representa um perigo permanente em qualquer lugar do mundo, por sua patogenicidade e pela obrigatoriedade de se aplicar sistemas de sacrifício sanitário, tal enfermidade representa grandes perdas econômicas potenciais para a indústria avícola.

As pessoas expostas devem estar atentas, até 10 dias após a última exposição, ao aparecimento de febre acompanhada de pelo menos um dos sintomas respiratórios: tosse, dor de garganta, dispneia e desconforto respiratório. Caso apresentem sinais ou sintomas sugestivos de IA, os expostos deverão ser encaminhados às unidades de saúde de referência para avaliação clínica, coleta de amostra biológica e início do tratamento adequado.

A implementação de um plano operacional que leve à conjunção de diferentes setores envolvidos no planejamento e na execução integrada das ações permitirá uma resposta consistente, robusta e sustentável.

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