16 de July de 2018

Não ao preconceito: ao racismo, ao machismo e à homofobia

Atualmente está ficando bastante comum o cerco a que as pessoas que fumam estão passando. Apesar das investidas legais, impedindo-as que fumem em determinados ou em todos os lugares, muitas delas ainda insistem em fumar, sabendo dos perigos à saúde e o incômodo que causam aos seus semelhantes. Pode parecer uma discriminação impedir que elas fumem, afinal o corpo e o dinheiro são delas, portanto, elas podem fazer o que quiserem. Mas a coisa não é assim.

O consumo de tabaco elimina da face da terra mais de 5 milhões de pessoas por ano. Fumar é um dos mais importantes fatores de risco de doença e morte e é isoladamente a causa mais previsível de enfermidade e mortalidade por infarto do miocárdio, doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão, traqueia e garganta; no ritmo atual em 2030 o tabaco matará mais de 8 milhões de pessoas por ano. E morrerão de forma prematura e o custo econômico a todos os contribuintes é enorme. Portanto, tornou-se ridículo fumar. Hoje em dia não é visto com bons olhos as pessoas que fumam. Fumar é um problema e deveria ser motivo de vergonha para quem age assim. Estou falando isso para termos um exemplo das mudanças culturais que uma sociedade pode passar.

Tal como foi com o cigarro, temos notado um movimento na sociedade, especificamente no Brasil, em que as pessoas já não suportam mais aqueles que têm atitudes preconceituosas, discriminatórias e violentas, apenas porque o outro é diferente de mim. Vai chegar o dia em que não serão tolerados em hipótese nenhuma esses tipos de condutas.

Isto quer dizer que precisamos estar abertos a uma nova sensibilidade, em que a liberdade das pessoas, desde que não firam as das outras, tenha lugar definitivo em nossa convivência social:  a liberdade da mulher em face do machismo, do homossexual diante da homofobia, do negro e do indígena contra o racismo. O preconceito está sendo vencido, sobretudo quando, de odioso, vai se tornando também ridículo.

Penso que chegará o dia em que será motivo de sarcasmo alguém agir agressivamente apenas porque não concorda com o jeito de ser e de se comportar do outro. E que isso seja logo! Estarão fora de propósito, do possível e do pensável essas atitudes. Os preconceitos parecem, hoje, estar perto de agonizar: em breve, quem se opuser a mulheres, gays e negros será folclórico. É o que a nova sensibilidade implica.

O que cumpre a cada um de nós, agora, é ter consciência e se preparar para a luta e que os crimes de ódios sejam extirpados de todos os lugares onde convivemos: na família, na escola, na igreja, no trabalho, etc. Embora não saibamos como será o nosso futuro, uma coisa é certa: a superação do preconceito parece ser uma das tarefas mais urgentes, se não quisermos que a própria humanidade seja extirpada da face da terra por conta da intolerância, das guerras, das agressões, etc, que cometemos contra os outros e, por tabela, contra nós mesmos.

Se fumar faz mal a quem fuma e incomoda a quem não fuma, do mesmo modo ser preconceituoso é um câncer que não podemos mais alimentar. E observe que nem precisamos de um hospital para curar o preconceito, onde muito dinheiro é gasto, mas apenas de boas atitudes.  Enfim, faça uma autoanálise e veja como e quem você é.

Por Alonso Bezerra de Carvalho. Ele é livre-docente e professor da Unesp. Pode ser encontrado pelo e-mail: alonsoprofessor@yahoo.com.br

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