Hélio Benetti e mais três são condenados em crime de tortura

Hélio Benetti é o atual secretário da Saúde de Marília e é cogitado como o vice do atual prefeito Vinícius Camarinha nas eleições deste ano. Foto: PMM.
Helio Benetti é o atual secretário da Saúde de Marília e é cogitado como o vice do atual prefeito Vinícius Camarinha nas eleições deste ano. Foto: PMM.

No dia 23 de abril de 2013 e em mais três oportunidades, Hélio Benetti, Jair Dias de Oliveira Filho, Carlos Roberto Valdenebre Silva (“Carlão”) e Paulo Roberto Vieira da Costa (“Paulo da Fumares”), atuando na qualidade de agentes públicos, atentaram contra cerca de quinze moradores de rua. Eles foram condenados pelo uso de força, violência e de uma máquina de choque, previsto no artigo 3º, “i” da Lei nº 4.898/1965 do Código Penal.

Pela privação à liberdade dos moradores de rua e ao obrigarem os mesmos à entrar em veículo Kombi da Prefeitura Municipal e encaminha-los para outra cidade contra suas vontades, Hélio Benetti, Jair Dias, Carlão e Paulo da Fumares foram condenados no artigo 4º da Lei nº 4.898/1965 do Código Penal.

Assim, o juiz de Direito Luiz Augusto Esteves De Mello os condenou às penas de 01 (um) mês e 05 (cinco) dias de detenção, em regime inicialmente aberto. Eles também foram condenados ao pagamento de 35 (trinta e cinco) dias-multa e a inabilitação para o exercício de qualquer função pública pelo prazo de 01 (um) ano e 02 (dois) meses. Eles responderão em liberdade.

Em 2013, Benetti era Secretário Municipal de Assistência Social de Marília. Atualmente ele ocupa o cargo de secretário da Saúde de Marília e é cogitado como o vice do atual prefeito Vinícius Camarinha (PSB) nas eleições deste ano. Jair Dias e Paulo Roberto Vieira da Costa eram funcionários públicos vinculados à mesma Pasta. Já Carlos Roberto Valdenebre era empresário do ramo de faixas e letreiros e trabalhou na Fumares (Fundação Mariliense de Recuperação Social) em 1983.

Confusão

Na ânsia de “livrar-se” do problema social e fazer uma “limpeza” na cidade, os condenados ainda atacaram, por engano, Vanderlei Miguel. Em seu depoimento, aceito pelo juiz, ele informou que trabalhava durante a semana em Marília há cerca de cinco anos, mas que era morador na cidade de Cândido Mota. Vanderlei relatou que no dia 29 de abril de 2013, veio de ônibus para Marília trabalhar. Informou também que trabalhou durante o dia todo e à noite, por causa de um cisco que havia entrado em seu olho, estava indo em direção ao hospital de olhos, localizado próximo da Avenida Rio Branco, quando foi abordado pelos acusados e questionado de que cidade era.

Sem entender o que estava acontecendo, ele foi jogado à força dentro da Kombi que já estava com alguns andarilhos, e que depois o veículo municipal ficou rodando a cidade a procura de mais andarilhos. Relatou ainda que eram duas Kombi e que encheram os dois veículos com andarilhos, e que se lembra perfeitamente do réu Carlos, o Carlão, porque aquele estava com uma máquina de choque.

Mesmo argumentando se tratar de um “equívoco”, Vanderlei foi tratado como andarilho e acabou, junto com os demais, sendo levado até a rodovia aonde um ônibus esperava. Entraram no veículo cerca de 15 pessoas. Disse ainda que todos foram deixados no trevo de Ibitinga, e que assim que desceu do ônibus ligou de seu celular para a polícia militar e foi conduzido até a delegacia para registrar boletim de ocorrência, recebendo toda a assistência na cidade de Ibitinga.

Vanderlei confirmou que nem todas as pessoas quiseram ir até à delegacia. Declarou também que não foi agredido com a máquina de choque, mas que presenciou algumas pessoas sendo agredidas com choque por Carlão. No dia seguinte, em 30 de abril, ele retornou a Marília com algumas pessoas em ônibus que a Prefeitura de Ibitinga cedeu. Por fim, ele afirmou que na data dos fatos existiam duas “peruas” recolhendo as pessoas, bem como um carro da Prefeitura acompanhando. Viu cerca de sete ou oito funcionários da Prefeitura praticando os fatos.

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