O (des) caso do esporte em Marília

No ano passado, a cidade de Marília teve um orçamento de 834 milhões de reais aprovado pela câmara dos vereadores. Desse total, apenas 8,6 milhões foi destinado à Secretaria de Esportes e Lazer do município. Ou seja, só pouco mais de 1% do total da arrecadação da cidade foi designada à pasta. Não é preciso ser nenhum especialista para perceber o descaso com o qual os esportes são tratados pela administração pública mariliense. A questão não é apenas de natureza financeira. Ao darmos uma volta pelos bairros da cidade, encontramos instalações abandonadas ou em péssimas condições. A título de comparação, a cidade de Bauru teve, em 2015, um orçamento apenas 20% maior do que Marília e, mesmo assim, conseguiu direcionar os recursos para encontrar parcerias e investir nos esportes bauruenses.

Mas esse descaso e incompetência não é de hoje. Em 2009, o Tampa Bay Rays, time de baseball estadunidense que disputa a MLB (Major League Baseball), principal liga do esporte no mundo, tentou uma parceria com a Prefeitura Municipal de Marília para instalar na cidade um Centro de Treinamento para crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos. O time se propôs a investir 5,5 milhões de dólares no esporte em cinco anos na cidade, tendo como única exigência a doação de um campo com espaço suficiente para desenvolver as atividades. Porém, o projeto não vingou, pois, o projeto foi “abortado pela prefeitura”. Em 2014, o clube fechou a parceria tentada no ano de 2009, só que com a cidade de Garça, para frustração dos amantes do esporte em Marília.

Os exemplos não param por aí, o descaso e má gestão da administração municipal também podem ser vistos com outros esportes coletivos que já foram destaque para o município. A cidade não conta hoje com incentivos para a construção de uma equipe de basquete e de vôlei, por exemplo. O caso com o basquete é ainda mais dramático: a cidade sediou a última final do NBB (Novo Basquete Brasil) no ginásio Neusa Galetti, na Avenida Santo Antônio. O ginásio foi elogiado pela imprensa nacional e a cidade mostrou capacidade em receber eventos como esse, lotando com mais de 7 mil pagantes as arquibancadas, a despeito da completa carência de recursos para a prática do esporte a nível profissional, como falta de bolas, tabelas e material esportivo.  O drama é que, ainda com um ginásio, a cidade não possui um time de basquete e nem há indicadores de que vá possuir. Não por falta de talentos, ou de formação de base, já que há formação e incentivo realizado por escolas com o apoio da Prefeitura. O que falta é um incentivo à profissionalização, um incentivo à real inclusão por meio do esporte.

Seguramente é importante investir na base e a Prefeitura desenvolve projetos como escolinhas de futebol, basquete e vôlei. Há atividades esportivas desenvolvidas em várias modalidades e para todas as idades, mas não há incentivo efetivo por parte da administração pública municipal, e a prova disso é que muitos atletas talentosos acabam desistindo ou migrando para outras cidades, por falta de oportunidades. Proporcionar a inclusão social por meio do esporte, como é o slogan da Secretaria de Esportes e Lazer do município, não é apenas ter escolinhas, é criar uma estrutura que proporcione ao atleta o pleno desenvolvimento de suas habilidades, desde a infância até o profissionalismo, e isso não ocorre há anos na cidade. Na verdade, não me lembro de ter ocorrido. É importante que se dê créditos ao que vem sendo feito de forma correta, como os incentivos aos esportes inclusivos através da AMEI (Associação Mariliense dos Esportes Inclusivos), que tem atletas competindo pela seleção brasileira, como é o caso do jovem Daniel Tavares. Mas essa é uma exceção à regra do descaso.

É nesse sentido, num tom de crítica construtiva, que inauguro minha coluna esportiva semanal no Marília Global, onde pretendo tratar de projetos que vem sendo desenvolvidos e que se encontram longe dos olhos da população. Pretendo falar de iniciativas particulares e públicas, passando pelos mais variados esportes. O objetivo é divulgar projetos, dar visibilidade às iniciativas que sofrem com o descaso da administração pública e falar daqueles que contam com uma fatia do orçamento da prefeitura, que não é pouco. Sugestões ou críticas são bem-vindas.

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