Tampa Bay Rays desenvolve projeto em Garça e mariliense é o primeiro a fechar contrato

João Victor Ayres veste uniforme do seu novo time de baseball | Foto: Felipe Barduchi
João Victor Ayres veste uniforme do seu novo time de baseball | Foto: Felipe Barduchi

Depois de ter frustrada a possibilidade de implantar um centro de treinamento em Marília, o Tampa Bay Rays acertou parceria com a Prefeitura de Garça, para implantar a estrutura avaliada em US$ 5 milhões (cerca de R$ 13 milhões) para formar atletas para o beisebol.

Edno de Souza, representante do Tampa Bay Rays no Brasil, destacou que João Victor Ayres é apenas um dos muitos jovens que poderiam ter conquistado o sonho de praticar esse esporte, caso o projeto tivesse sido implantado em Marília.

Conforme Souza, o projeto em Garça prevê a conclusão do primeiro campo oficial entre maio e junho de 2015, quando será realizada uma partida possivelmente envolvendo atletas de alto nível, da Major League. “Estamos estudando e alinhando as expectativas, para trazer equipes universitárias dos Estados Unidos para realizar partidas aqui. Mas é preciso esperar encerrar a temporada lá. Tem ainda a proximidade do aniversário do município de Garça, que poderia ser marcado pela inauguração do campo e pela realização destas partidas. Enfim, tudo está sendo acertado para que tudo aconteça de forma a atender todos os envolvidos”, comentou.

Conforme o representante do Tampa Bay Rays, é possível que dentro de quatro ou cinco anos o Brasil passe a ter atletas com nível profissional capaz de melhorar a qualidade dos atletas brasileiros e também com performance internacional. “Tendo como base o João Victor, acreditamos que poderemos ter, neste período, cerca de 10 atletas com desempenho semelhante. Mas esse número pode ser maior, na medida que o esporte for sendo disseminado no país”, disse.

Mariliense é o primeiro brasileiro a fechar contrato com o Tampa Bay Rays

O jovem mariliense João Victor Ayres, de 17 anos, é o primeiro brasileiro a fechar um contrato com uma equipe de beisebol. Ele está jogando a Liga de Verão Venezuelana, depois de passar pela Colômbia. Ele relatou que começou a praticar o esporte no Nikkey Clube de Marília como lazer e só depois passou a perceber que poderia se tornar profissional.

A partir deste momento ele percebeu que havia uma grande diferença entre o beisebol praticado pelos japoneses e pelos americanos. Segundo ele, no Brasil a base do beisebol é sempre a escola japonesa, que já está adaptada aqui. Ao passar a fazer parte do Tampa Bay Rays, Ayres percebeu que era uma outra forma de praticar o esporte, exigindo um pouco mais do atleta.

O rapaz ressaltou que passou pela Colômbia e está atualmente na Venezuela, para que possa atingir um nível técnico que possa lhe garantir a profissionalização. “O nível técnico exigido pela Major League americana é bastante alto e só vou conseguir atingir esse objetivo se melhorar minha performance. Por isso passei pela Colômbia e estou na Venezuela, a fim de atingir esse objetivo”, destacou.

O atleta destaca que já serviu a Seleção Brasileira de Beisebol por cinco oportunidades. Em três delas contou com a ajuda de investidores e em outras duas, as despesas foram custeadas pela própria família. No último campeonato, o Sul-Americano de Beisebol, o Brasil ficou na quinta colocação. Na opinião de Ayres, essa classificação poderia ter sido melhor se os brasileiros fossem melhor preparados, tendo como base a escola norte-americana do beisebol.

Ayres comentou também sobre o fato de Marília ter “perdido” o projeto de instalação de um centro de treinamento do Tampa Bay Rays. Na opinião do jogador, os jovens que praticam o esporte na cidade e que poderiam ter uma oportunidade profissional, tiveram essa possibilidade afastada. “Já se passaram cinco anos, o projeto agora vai ser implantado em Garça. Não sei quais os motivos que impediram Marília de ter esse projeto, mas muitas crianças deixaram de ter a oportunidade que eu tive”, explicou.

APOIO/ O pai do atleta, Carlos Ayres, destacou que é muito gratificante ver o filho superando os obstáculos que surgiram, tendo como meta a profissionalização. Ele explicou que não criou expectativas sobre o desempenho do filho, no começo da prática esportiva. “Nós viamos ele praticar beisebol enquanto lazer, por fazer bem a saúde. Ao ver que ele mostrou talento e condições de se profissionalizar, passamos a investir e orientar sobre sua atuação”, disse.

Conforme Carlos Ayres, a preparação pela qual o atleta passou, aliado a experiência que foi vivida na Colômbia e está sendo vivida na Venezuela, vai garantir a formação profissional desejada pelo rapaz.

Entre na conversa...