Operação Miragem apura crimes na CMN e revela uso de “laranjas”

Operação Miragem da Polícia Federal investiga diversos crimes cometidos por empresários e políticos ligados a CMN. Foto: Jornal da Manhã.
Operação Miragem da Polícia Federal investiga diversos crimes cometidos por empresários e políticos ligados a CMN. Foto: Jornal da Manhã.

No dia 10 de agosto, a PF (Polícia Federal) em Marília deflagrou a Operação Miragem com o objetivo de investigar crimes como falsidade ideológica, uso de documentos falsos, sonegação fiscal, atividade de telecomunicação clandestina e evasão de divisas.

O nome da operação foi dado pela equipe de investigação da Delegacia de Marília e baseia-se no fato de que grupos de comunicação com atuação em Marília, operando em nome de “laranjas”, veiculavam notícias não verdadeiras a respeito da cidade.

Por meio das investigações, a PF lacrou as emissoras de rádio Diário FM e a Dirceu AM, que pertencem à CMN (Central Marília de Notícias). Segundo informaram os delegados Luciano Menin, que responde pelo inquérito e atua nas investigações da Lava Jato, e Rogério Santana Hisbek, que comanda a PF em Marília, as atividades das rádios permanecerão suspensas até o final do processo.

Além disso, a PF fez buscas em endereços residenciais e comerciais, na sede do PSB em Marília e até na Prefeitura de Marília. O resultado foi a apreensão de documentos, computadores e uma grande quantia em dinheiro. Porém, os detalhes sobre os materiais não foram revelados.

Inicialmente, a Polícia Federal investigou o fato de existirem empresas de radiodifusão operando na cidade de forma clandestina, pois suas concessões públicas haviam expirado em 2013 e 2014. Com o apoio do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a PF obteve informação de que essas empresas estavam realizando transações financeiras com empresas que mandavam dinheiro para fora do país.

O que chamou a atenção foi o fato de que um dos investigados na Operação Miragem mantinha relação com empresas investigadas pela Operação Lava Jato, que são especializadas em encaminhar divisas para o exterior. Também foi revelado que as rádios ligadas à CMN estão no nome de “laranjas”.

Mas este fato não é novo, pois suspeitas neste sentido já haviam sido levantadas por outros órgãos. Em 2012 o atual prefeito Vinícius Camarinha (PSB) e seu vice Sérgio Lopes Sobrinho tiveram o registro de candidatura cassado após decisão em primeira instância do Juiz Eleitoral Silas Silvas Santos. Para tomar posse em 1º de janeiro de 2013 foi necessária medida liminar.

A sentença apontou abuso de poder econômico e uso indevido de mídias sociais para beneficiar Vinícius e Serjão durante a campanha eleitoral de 2012. Como o grupo CMN não está em nome da família Camarinha, o magistrado deduziu que os veículos de comunicação são de propriedade do atual grupo político devido ao teor das reportagens veiculadas.

“Nesse particular aspecto, o Ministério Público Eleitoral já anotou, com razão, a existência de pelo menos três indícios fortes do vínculo do Jornal Diário de Marília com o grupo político de Abelardo Camarinha e de Vinícius Camarinha. Confira-se: ‘Primeiro, porque os donos de direito não têm qualquer vínculo com Marília e, não obstante, assim que assumiram a CMN passaram a elogiar o grupo político de Camarinha e atacar todos os adversários. Segundo, porque nomearam como diretor o senhor Ednaldo Perão, que em 2008, foi candidato a vereador pela coligação de Vinícius. Terceiro, porque o senhor Ednaldo Perão sequer é jornalista, pois se qualifica como produtor de eventos’ (fls. 174 da AIJE nº 517-40)”, afirmou o Juiz na sentença.

Embora o atual prefeito e seu vice tenham sido condenados em primeira instância, a decisão foi revertida no TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Atualmente, o caso está parado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para decisão final.

Em relação à Operação Miragem em breve o inquérito será relatado e encaminhado à Procuradoria Regional da República. Por enquanto, o caso segue em segredo de Justiça e tramita no Tribunal Regional Federal em São Paulo por envolver políticos com foro privilegiado.

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