19 de October de 2019

Comércio varejista na região de Marília encerra 391 postos de trabalho formal em março

Fachada do Sincomercio. Foto: Google.

Em março, o comércio varejista na região de Marília fechou 391 postos de trabalho, resultado de 1.717 admissões contra 2.108 desligamentos. Em 12 meses, foram eliminados 1.878 empregos com carteira assinada, o que levou a um recuo, na comparação com o mesmo mês de 2015, de 3,8% do estoque total, que atingiu 47.786 trabalhadores formais no mês.

As informações são da Pesquisa de Emprego no Comércio Varejista do Estado de São Paulo (PESP), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), elaborada com base nos dados do Ministério do Trabalho e Previdência Social, por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e o impacto do seu resultado no estoque estabelecido de trabalhadores no Estado de São Paulo, obtido com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).

Todas as nove atividades analisadas apresentaram recuo na ocupação formal em março na comparação com o mesmo mês de 2015. As maiores retrações se concentraram nos segmentos de concessionárias de veículos e de lojas de móveis e decoração, ambos com -11,6%, seguidos pelas lojas de vestuário, tecido e calçados (-6,9%).

Segundo Pedro Pavão, presidente do Sincomercio Marília, o cenário do emprego no varejo continua se agravando e isso se reflete com o estoque de trabalhadores abaixo da quantidade verificada nos mesmos meses do ano anterior “Esse desempenho é reflexo direto da retração no consumo das famílias e o aumento dos custos operacionais para os empresários. O brasileiro vem buscando quitar suas dívidas e com isso deixa de investir, o que representa um retrocesso em nossa economia. Esperamos que com o novo quadro político, tenhamos uma melhora na confiança do consumidor”, destaca.

Desempenho estadual

Em março, o comércio varejista no Estado de São Paulo eliminou 13.277 empregos com carteira assinada, resultado de 76.400 admissões e 89.677 desligamentos. Esse é o pior saldo para o mês desde o início da apuração dos dados pelo Ministério do Trabalho, em 2007. Com isso, o estoque ativo de trabalhadores do varejo paulista atingiu 2.083.311 no mês, o patamar mais baixo desde julho de 2012, quando eram 2.082.953 funcionários ativos no setor.

Somente no primeiro trimestre deste ano foram encerrados 46.718 postos formais no varejo. No mesmo período de 2015 o saldo negativo do setor ficou em 35.166 empregos com carteira assinada, ou seja, neste ano houve 32,8% mais fechamentos de postos de trabalho nos primeiros três meses do ano. Já nos últimos 12 meses foram extintos 71.993 vínculos empregatícios no comércio varejista. Entre abril de 2014 e março de 2015, por exemplo, ainda havia um saldo positivo de 9.282 vagas.

Das nove atividades pesquisadas, sete apresentaram queda no estoque de empregos formais em março na comparação com o mesmo mês de 2015. Os destaques negativos foram registrados nos setores de concessionárias de veículos (-9%) e de lojas de eletrodomésticos e eletrônicos e lojas de departamento (-8,4%). Apenas os segmentos de farmácias e perfumarias (2,3%) e supermercados (0,1%) apresentaram elevação nos estoques de funcionários em relação a março do ano passado.

De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, nem mesmo a Páscoa – que poderia alavancar um saldo positivo ou, ao menos, interromper os sucessivos saldos negativos nas cadeias de supermercados – foi capaz de amenizar o desempenho negativo do mercado de trabalho formal do varejo do Estado de São Paulo em março. Pelo quarto mês seguido houve retração do estoque de emprego no comércio varejista, com mais de 13 mil postos extintos apenas em março. No mês, todas as atividades econômicas analisadas registraram saldo negativo e todas as regiões paulistas viram seu varejo reduzir o total de trabalhadores ativos.

Com relação aos dados por ocupações, as funções que mais perderam foram os vendedores e demonstradores, com a eliminação de 3.976 postos de trabalho em março. A segunda maior redução ocorreu com os escriturários, com eliminação de 1.087 empregos, seguidos pelos gerentes de operações (-779 vagas).

A Entidade explica que o movimento do mercado de trabalho é resultado direto da diminuição da receita de vendas do comércio varejista. Esse movimento, por sua vez, terá impacto no consumo futuro das famílias e, consequentemente, nas vendas do varejo, que tendem a continuar em queda, realimentando o ciclo negativo no mercado de trabalho do setor. Já em abril, a previsão da FecomercioSP é de que até os supermercados registrarão saldo negativo no acumulado de doze meses, de modo que as farmácias e perfumarias serão a única atividade a ainda gerar vagas de trabalho no varejo do estado na comparação com 2015.

Entre na conversa...