22 de October de 2018

Humorista Marcelo Adnet lança vídeo sobre o jeitinho brasileiro. E eu com isso?

Marcelo Adnet aborda jeitinho em vídeo. Foto: Globo Play.
Marcelo Adnet aborda jeitinho em vídeo. Foto: Globo Play.

No ano passado, eu tive o prazer de ministrar a disciplina “Sociedade, Economia e Política” para a turma do 2º termo (primeiro ano) de Publicidade e Propaganda, na Universidade de Marília (Unimar). Meus amigos e colegas publicitários que me perdoem, mas eu sempre inicio meus cursos dizendo que se há uma área na educação cujos alunos precisam ser colocadas à prova, no que diz respeito à valores éticos e cidadãos, estes são os alunos de Publicidade e Propaganda. O motivo é simples: desde que Adorno e Horkheimer afirmaram, na obra-prima “A dialética do esclarecimento”, que a arte e a cultura se reduziram à propaganda, isso implica dizer que estes profissionais, ou futuros profissionais, ganharam status de poder incomensurável na sociedade a partir da segunda metade do século XX. Daí que alguns deles se tornam figuras centrais nas investigações de caixa dois em campanhas políticas. 

Assim, não falta provocações da minha parte e estes grupos de alunos que almejam participar daquela que pode ser, como qualquer outra, dependendo do profissional, uma nobre profissão. Uma das provocações é o debate sobre o “jeitinho brasileiro.” Para o antropólogo Roberto DaMatta, no livro “O que faz o brasil, Brasil?”, estes comportamentos se constituem entre a desordem das festas populares brasileiras, no caso, o carnaval, e a disciplina pela (des)obediência irrestrita as leis. Para DaMatta, a tragédia do Brasil, desde a sua descoberta, reside na difícil reconciliação entre a demanda por leis universais, que tinha um sujeito também universal, o indivíduo, e as situações particulares, onde imperam os desejos, as paixões e as relações pessoas.

Como fruto desta tragédia entre a desordem e a disciplina pela (des)obediência irrestrita as leis, nascem a malandragem, o jeitinho e a carteirada. De um lado, em países desenvolvidos, como os EUA, a Inglaterra e a França, ou as regras e leis são cumpridas ou elas deixam de existir. As regras e leis devem ser excluídas com base no senso comum e nas regras da própria sociedade. Isso se traduz em civilização e disciplina, educação e ordem. A lei é um instrumento usado para a sociedade funcionar bem.

E aqui? Bem, aqui ela é muito comumente usada para explorar ou submeter o cidadão ao controle, ou corrigi-lo e inventar uma nova sociedade (figura do herói?). Ela se molda, em sua aplicação, às particularidades sociais, raciais e econômicas da PESSOA que a transgrediu… eliminando a individualidade e instaurando o personalismo. Assim, as leis fazem com que tudo não pode, desde que ela também pode, para certas pessoas. Daí o lugar da malandragem, do jeitinho e da carteirada.

Então, resumidamente, o jeitinho é um modo simpático, amigável, de fazer aquilo que não pode, poder; a carteirada é um modo autoritário, hierárquico, de fazer aquilo que não pode, poder; e a malandragem é o modo profissionalizado de tranpôr aquilo que não pode, ao pode.

Por fim, uma figura que se tornou fundamental neste processo de instauração do jeitinho, da carteirada e da malandragem é o “técnico do despacho,” aquela pessoa que se especializa em leis, regras, editais etc., com o único objetivo de burla-los para fins ilegais e particulares. Toda cidade onde impera a corrupção com a coisa pública tem estas figurinhas carimbadas. Que se carimbe a prisão na testa destes malandros. Vamos fazer propaganda contra a corrupção!

Ah! Já ia me esquecendo, segue o link para o vídeo do Marcelo Adnet, que aborda justamente o “jeitinho brasileiro” no cotidiano.

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