Prefeitura: uma estranha resposta

Mosquito Palha e cachorro "de óculos" com o sintoma da doença. Foto: Internet.
Mosquito Palha e cachorro "de óculos" com o sintoma da doença. Foto: Internet.

No dia 15 de dezembro, a OSCIP Matra, uma entidade em cujos objetivos se encontra o de promover a luta pela transparência com vistas a proporcionar que a sociedade, bem informada, possa fazer o controle social sobre a gestão pública, divulgou em seu site e em outros veículos, matéria com o título, “25 mil cães podem ter Leishmaniose Visceral em Marília”, baseada em fontes oriundas de dentro da própria pasta da Saúde, na qual manifesta preocupação com a possibilidade de uma repetição em dose mais grave, do que ocorreu recentemente com a epidemia da dengue e para a qual, a Prefeitura demonstrou não estar adequadamente preparada para fazer face àquela demanda.

A intenção da Matra não foi outra, que não a de cobrar atitude por parte quem deve se portar com responsabilidade – pois já há notícias de mortes por leishmaniose e dezenas de casos com suspeita de contaminação. Jamais pretendeu lançar descrédito sobre quaisquer das instituições locais

A matéria publicada deu conta de que nos bairros Jânio Quadros, Santa Antonieta, Parque das Nações, Figueirinha, Novo Horizonte, Aeroporto, Vila Altaneira e JK, existe uma epidemia entre os cães e no Jânio Quadros 46% deles estariam contaminados pela leishmaniose. E que, segundo o coordenador de zoonoses de Marília, Lupércio Garrido, hoje, o cachorro típico da cidade seria o “cachorro de óculos” dado que o principal sintoma da doença é a existência de feridas escuras ao redor dos olhos.  Mas também esclareceu que segundo Garrido, uma das causas do agravamento da proliferação dessa doença seria a falta de comunicação de ocorrências por parte das clínicas veterinárias e que a única forma de combater o avanço da doença seria promover o sacrifício dos animais contaminados.

A Matra, então, cobrou da Prefeitura – na mesma matéria – que esclarecesse qual a sua estratégia de enfrentamento do risco epidemiológico? Qual o seu Plano de Contingências, para minimizar o risco? Afinal, as coisas já estão acontecendo e o mosquito transmissor não vai aguardar a posse do novo prefeito. Era isso que esperava ser respondido pela administração pública.

Mas ao invés de interpretar o alerta e a cobrança da Matra  como os de alguém comprometido com a defesa da integridade física da população, respondendo prontamente a esses questionamentos, a Prefeitura se preocupou mais em desmentir e a solicitar que a Matra comprovasse, com dados oficiais, a notícia que deu. Convém esclarecer que o normal seria que a própria Prefeitura – como órgão responsável pelas políticas de saúde pública local – tivesse, ela própria, esses dados para oferecer o contraponto à matéria veiculada pela Matra e não que cobrasse, de uma entidade de controle social, os dados que pretende ver divulgados à população. A menos que não os tenha.

Mas infelizmente a Prefeitura, sentindo-se agredida preferiu contra atacar, como se estivesse em meio a alguma disputa. E, estranhamente  fez veicular uma matéria que chamou de “Direito de Resposta”, sem nada esclarecer. Da mesma forma que não esclareceu o destino a ser dado ao lixo que se acumula pelas ruas favorecendo a disseminação do mal.

Ora! É sabido que os “dados oficiais” cobrados da Matra nem sempre acompanham a marcha dos acontecimentos reais e que a sua divulgação oficial, normalmente se dá atendendo a critérios políticos e não técnicos. E foi exatamente esse tipo de comportamento que prejudicou o trabalho de prevenção que poderia ter evitado a epidemia da dengue, que colheu a população de surpresa. Se a Prefeitura não tem esses dados, que os colha com a “Sucem – Superintendência do Controle de Endemias”, como é a sua obrigação.

Felizmente agora há um diferencial e é bom que o Coordenador de Zoonoses, Lupércio Garrido, tenha tido a coragem de externar a sua preocupação ao Conselho Municipal de Saúde, pois afinal demonstrou ser servidor público zeloso e que o seu compromisso principal é com o interesse público primário (interesse da população) e não com o interesse público secundário (interesse da administração). Muito menos, com os interesses políticos dos administradores. Sua atitude foi exemplar e manifestada no foro próprio, o Comus (Conselho Municipal de Saúde).

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Organização Não Governamental sem fins lucrativos e político-partidários, que visa transparência na gestão pública.

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