Escola de Marília lança livro tendo como tema a valorização do idoso

Cidadania e educação

Livro é resultado de projeto desenvolvido na escola - Foto: Carlos Teixeira

Alunos, familiares, professores, coordenadores e diretores da Escola Estadual (EE) Professor Antônio Reginato, em Marília, fizeram neste sábado o lançamento do livro “Valorização do Idoso”, fechando o ano de 2015 do Projeto Educacional que começou em 2010. A publicação é resultado de todo o trabalho desenvolvido por alunos da instituição, que fizeram pesquisas, entrevistas, visitas e ações sociais voltadas a valorização do idoso na unidade escolar.

Segundo o professor e um dos coordenadores do projeto, Elandio Robson Ferreira, o projeto surgiu com o objetivo de criar uma nova visão no aluno, sobre os idosos. “O projeto surgiu com a intenção de mudar aquele estereótipo que todos tinham sobre os idosos, de que eles são pessoas que ficam em casa, arrastando o chinelo, sem produzir ou fazer qualquer coisa na sociedade. A intenção foi quebrar essa idéia e mudar a forma como os idosos são vistos”, destacou. A intenção dos professores coordenadores era mostrar que as pessoas podem sim envelhecer com saúde e ter uma vida ativa.

“A felicidade, para mim, é a união da família,” Leonor Ferreira Cruz, 67 anos (frase extraída do livro)

Para promover essa transformação, os professores desenvolveram diversas atividades, que consistiram em visitas em asilos e outras instituições que atendem idosos. “Uma atividade que foi realizada todos os anos foi a arrecadação de alimentos. Os próprios alunos se encarregaram da arrecadação dos alimentos e da entrega para as entidades. Sempre foi uma grande festa quando os alimentos eram entregues. Também foram produzidos vídeos, coletados depoimentos, feitas redações e assim foi sendo trabalhado os mais diferentes gêneros textuais”, disse.

A professora Rosana Maria Frigo Amorim, que também atuou como coordenadora do projeto, ressaltou que desde o começo os alunos tiveram um certo “estranhamento” para discutir o assunto da terceira idade. “O tema assustou um pouco, por que ele invoca alguns assuntos delicados, entre eles a questão da morte. Essa primeira sensação foi quebrada quando eles puderam acompanhar a apresentação do coral da Unimed (Coralmed). Eles vieram, foram muito bem recebidos e envolveram os alunos nas apresentações e naquele momento o projeto tomou corpo. Os alunos quebraram aquele gelo inicial e a partir daquele instante percebi que a aprendizagem foi efetivada. E isso nos deu força para continuar com o projeto até hoje”, disse.

O sucesso do projeto é tão grande que os alunos já iniciam o curso questionando quando vão começar os trabalhos. “Todos os anos a gente percebe, já a partir de março, abril e nos meses iniciais, os alunos cobrando quando começam as atividades”. No entendimento de Rosana, por meio desse projeto é atendido um dos objetivos mais importantes buscados pelas unidades escolares, que é a integração com a sociedade, com a comunidade e com os familiares dos alunos. “Existe uma lacuna muito grande. Então o projeto tem o conseguido fazer com que os alunos consigam divulgar o que eles fazem dentro da escola, aproximando a família, participando, doando alimentos e se envolvendo no processo. O envolvimento é tão grande que, ao fazer um balanço entre as primeiras arrecadações e a última, é expressivo. Tanto que conseguimos atender duas entidades que cuidam dos idosos”.

Ela ressalta ainda que a transformação de todo o conteúdo discutido ao longo dos anos em sala de aula e nas visitas, em um livro que pode ser lido e consultado por toda a comunidade, sejam estudantes ou não, representa uma forma de perpetuar a iniciativa dos alunos. “Sem dúvida alguma o livro tem essa capacidade, além de ser também um exemplo para outras escolas que buscam essa integração e essa forma de promover a educação entre os jovens”, explicou.

“Envelhecer é o cabelo ficar branco (risos) – Maria Dias, 76 anos (frase extraída do livro)

A diretora da EE Professor Antônio Reginato, Vera Lúcia Roberto, aponta que o projeto atende ao objetivo de fazer com que as escolas não sejam apenas um ambiente de aprendizagem educacional, de escolaridade, mas também um local de transformação do ser humano. “Sem dúvida esse projeto promove isso. Ele é o carro chefe da escola e todo ano os alunos já começam as aulas perguntando sobre essa atividade”, ressaltou.

Ela destacou ainda que o projeto promoveu uma transformação na conduta e na forma como os jovens lidam com os idosos. “Eles passaram a ter mais paciência e carinho com os idosos. Nas festas que realizamos aqui na unidade, percebemos o cuidado, a atenção, o carinho e a paciência com que eles lideram com os avós que vieram participar das atividades”.

Livro

Editado pela Poiesis Editora e financiado pelo PROEMI (Programa Ensino Médio Inovador), do Ministério da Educação, o livro “Valorização do Idoso” tem 128 páginas, com depoimentos de estudantes e de idosos, redações e outros textos que foram construídos ao longo do projeto. Em um dos textos, Aisllan Henrique da Silva, de 15 anos, escreve uma carta aos idosos. Em um dos trechos, ele escreve:

“Tudo o que eu peço a vocês é que se divirtam, sejam felizes, não deixem os problemas tomarem conta de suas mentes, dêem risadas, brinquem, sejam felizes; nós, jovens, temos muito que aprender com vocês”.

Para o rapaz, foi extremamente importante participar do projeto e interagir não só com seus familiares, mas também com os idosos que estão nos asilos. “A gente se sente orgulhoso de poder participar de um projeto como esse na escola onde a gente estuda”, disse.

Sobre Carlos Teixeira 106 Artigos
Ele é jornalista com conhecimento em diferentes mídias (rádio, jornal, televisão e internet) e responsável pela empresa "O Porta Voz - Assessoria de Comunicação".

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