20 de October de 2019

As redes sociais nesses tempos líquidos

André Vitor e o escritor Ruy Castro, no Rio de Janeiro.

A popularização da internet provocou uma revolução na sociedade global. Descobriu-se um novo mundo de possibilidades: ler notícias on line, pesquisar, visitar museus, procurar emprego, entre outras coisas. Desta forma, relações pessoais, de consumo e de trabalho modificaram-se profundamente. Assim, de que forma, nossa existência foi afetada, seja positiva ou negativamente, por esses relacionamentos em rede?

Atualmente, podemos nos conectar com pessoas de várias partes do mundo. Não existem mais fronteiras para o conhecimento e a informação. Estamos todos interligados pela rede mundial de computadores. Tornou-se possível, portanto, rever um amigo que mora na Suiça ou organizar um protesto pelo meio virtual, como fizeram os egípcios em 2008 levando milhares de pessoas às ruas, do virtual ao real.

Entretanto, esse novo meio de comunicação de massa precisa ser visto com cautela. O filósofo polonês Zygmunt Bauman alerta para os perigos dessas “amizades de facebook” que, num primeiro momento, são atraentes, fáceis de se estabelecer. Mas, em seguida, se revelam superficiais e podem facilmente ser desfeitas: não se tem mais amigos de fato mas conexões on-line. Assim, romper essas relações é algo tão fácil quanto fazê-las.

Num mundo dominado pela lógica capitalista em que o que importa é o consumo instantâneo, volátil, a conexão se transforma em isolamento. Não há mais lealdade e parceria mas um conflito de interesses, fragmentado e solitário, polarizado pelos algoritmos que nos confortam com opiniões semelhantes à nossa. A negociação de outrora se transforma em conflito, e o conflito em vazio existencial.

Diante disso, é preciso repensar o uso que fazemos das redes sociais. É necessário que se produza, como nos ensinou Paulo Freire, uma educação para a conscientização a fim de tornar os cidadãos verdadeiramente críticos com relação aos perigos do meio digital. Os governos, por sua vez, precisam regulamentar o uso da internet para que se preserve os direitos humanos e, sobretudo, a verdadeira inclusão digital: consciente e positiva.

*Síntese de palestra proferida em 19/10, na Fajopa.

Entre na conversa...