Lentes de Marcelo Sampaio mostram a “Marília Invisível”, em exposição no CCBEU

Marcelo Sampaio nas lentes de Danilo Yde

Marcelo Sampaio chegou em Marília há cerca de 40 anos. Oriundo de São Paulo, o artista teve a ideia de retratar por meio da fotografia, aquilo que ele via nas caminhadas que fazia pela cidade. Foi assim que começou toda a história do fotógrafo autodidata, que já fez dezenas de exposições e que agora mantém 12 imagens da paisagem urbana da cidade, na Galeria CCBEU/Espaço Cultural “Professor Edmond Atallah”, até o dia 28 de agosto.

Em entrevista ao Marília Global, ele relata que costumava observar os cenários marilienses e admirar a beleza de cada situação. Foi quando teve a ideia de registrar isso, por meio da fotografia. “Há algum tempo, me ocupo em andar pela cidade munido de câmera fotográfica como um bloco de notas, registrando as minhas impressões, imaginações e interrogações a respeito das ruas, praças, edifícios, pessoas etc. Em 15 anos fiz minhas anotações em “bloquinho” analógico e posteriormente fui para o digital”, diz ele.

Conforme Sampaio, desde que chegou à cidade ficou maravilhado com a cena urbana existente por aqui e como tudo era visto por ele.  “Apesar de toda fotografia retratar algo que de fato existe, a minha composição, a minha luz, a minha estética, ela procura transcender o documental. E aí você olha as fotografias e não dá para perceber se é Marília ou não. A proposta era fotografar uma cidade que existia mais na minha imaginação, das minhas interrogações, na minha avaliação artística da cidade, do que a Marília que as pessoas vão perceber. Por isso o nome ‘Marília – Cidade Invisível’”, explicou.

Ele conta que não aprendeu fotografia em balcão de foto, ou auxiliando fotografo de casamento. O aprendizado foi folheando a revista “Iris Foto”, que não existe mais. “Uma pessoa me apresentou um montão dessas revistas e observando os grandes mestres da fotografia brasileira, os ensaios e todas as reportagens fiquei maravilhado com o que podia ser feito pela fotografia”, contou. A revista influenciou inclusive na escolha da tonalidade das fotografias, que são, em sua maioria, em preto e branco.

Outro personagem que influenciou o artista é Cristiano Mascaro, fotógrafo de Catanduva, hoje com 70 anos. “Eu tive oportunidade de ler um livro do mestre Cristiano Mascaro, que fotografa São Paulo. Como a fotografia é possível recriar uma cidade. São Paulo já foi mostrada de diferentes formas e ele conseguiu mostrar naquele conjunto de imagens que vi naquele livro, uma São Paulo totalmente diferente, imaginária, que talvez só existisse na cabeça do Cristiano Mascaro. Aquilo me impressionou e acendeu em mim a vontade de me tornar um fotógrafo autoral”, ressaltou.

Ele partiu então ao aprendizado de revelação, em preto e branco, e comprou a câmera, passeando a pé por Marília, tentando fazer um pouco o que Marília era para ele. “O ponto de vista do pedestre, do cotidiano e o preto e branco são a minha tônica. Como se fosse possível recortar a cidade em pedaços, como peças de um quebra-cabeça, para ser reconstruída na minha imaginação. Marília para mim é isso: histórias a serem contadas, uma realidade a ser reconhecida em seus pedaços pela câmera. Uma cidade que talvez exista muito mais dentro de mim”, disse.

Ele aproveitou para contar uma curiosidade. “Quando eu era moleque andava muito a pé, de ônibus, para ir a escola, voltar e para outros compromissos. E eu ia olhando a cidade e imaginando história envolvendo as pessoas, os pedestres. Aquilo ficou em mim. Gostava de fazer isso para passar o tempo, me distrair. Essa coisa começou aparecer mais forte quando eu estava com uma máquina fotográfica. Eu transformava as histórias imaginárias com as minhas fotografias”, destacou.

Quem é Marcelo Sampaio

O fotógrafo é formado em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista/Unesp Marília. Atuou como professor na área, em instituições como o Senac, Unesp, arte-educador na Oficina Cultural “Tarsila do Amaral”, no Estudos e Cia, Estação Cultura/Marília, além de vários cursos na própria Unesp, Faef/Garça e Cefam/Tupã.

Exposições

Sampaio também fez dezenas de exposições de fotografia em Marília e na região com o apoio das secretarias de Cultura de Marília e de Garça, do Senac, Unesp e Sesi de Marília desde o ano de 1998. O tema geral das mostras foi a paisagem urbana de Marília. Entre essas mostras, “Cidade: memória em pedaços”, percorreu o Estado de São Paulo, patrocinada pelo Sesi e “A cidade e o tempo”, realizada na 2ª Semana Regional de Fotografia de Marília, organizada pela Oficina Cultural Tarsila do Amaral em 2014.

Sobre Carlos Teixeira 106 Artigos

Ele é jornalista com conhecimento em diferentes mídias (rádio, jornal, televisão e internet) e responsável pela empresa “O Porta Voz – Assessoria de Comunicação”.

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