19 de October de 2018

Entre Jair Bolsonaro e Jean Wyllys, eu fecho questão com o Chico

papa Francisco visita a comunidade de Varginha, no Complexo de Manguinhos, na zona norte da cidade. O papa fez um apelo às autoridades públicas, aos mais ricos e à sociedade para que não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e solidário. Ele pediu políticas nas áreas de educação, saúde e segurança
Papa Francisco em visita a comunidade de Varginha, no Complexo de Manguinhos, na zona norte da cidade. O papa fez um apelo às autoridades públicas, aos mais ricos e à sociedade para que não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e solidário. Ele pediu políticas nas áreas de educação, saúde e segurança

A disputa entre os deputados federais Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e Jean Wyllys (PSOL-BA) promete esquentar não apenas Brasília, mas o Brasil. O último episódio, a cusparada de Wyllys em Bolsonaro após o deputado baiano explicitar seu voto contra o impeachment, é a marca de dois posicionamentos antagônicos.

Bolsonaro ficou conhecido nacionalmente por causa de diversas declarações polêmicas, sempre com grande peso nacionalista e conservador. Em 2016, o deputado carioca ainda defende abertamente a ditadura militar no Brasil e considera a tortura uma prática legítima em casos de tráfico de drogas, sequestro e execução sumária. Ele também já se posicionou a favor da pena de morte no Brasil para casos de crimes premeditados e é contra o desarmamento. Nos 10 segundos que teve para proferir seu voto a favor do impeachment, no último domingo, Bolsonaro homenageou militares do tempo da ditadura que cometeram crimes contra a humanidade.

O deputado do Partido Social Cristão (PSC) também se declara abertamente contra movimentos sociais, e é aqui que o antagonismo com Wyllys se acentua. Bolsonaro é contra a política de cotas raciais nas Universidades Públicas e também condena abertamente o homossexualismo. Ele luta contra as leis que garantam os direitos de pessoas LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), como o casamento igualitário e a adoção de filhos por casais homossexuais, além da alteração no registro civil para transexuais.

Suas posições políticas estão alinhadas aos discursos da extrema-direita política no Brasil.

Já Wyllys defendeu em seus Projetos de Lei (PL) a revogação de determinados artigos do Código Civil que regulamentavam o casamento. Sua luta política vai na direção do reconhecimento do casamento civil e da união estável entre pessoas do mesmo sexo, o que esta exposto no PL 5120/2013. Ele também defende a regulação da atividade dos profissionais do sexo, exposto no PL 4211/2012.

O deputado do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) também já se envolveu em polêmicas por supostas declarações que foram caracterizadas como intolerância religiosa. Ele também teve problemas por uma declaração na qual comparou os salários de deputado federal com o de professor.

Suas posições políticas estão alinhadas aos discursos da extrema-esquerda política no Brasil.

Ao leitor do Marília Global, perceba que o ponto de tensão, o nervo exposto, tem a ver com valores que adquirimos na prática religiosa. Uma vez que esses valores são traduzidos para as práticas políticas partidárias, tomam a forma encrostada, corporativizada de extrema-direita e extrema-esquerda e, então, não há a menor chance de a disputa alcançar pontos em comum.

Por isso que em tempos de radicalização de valores, eu sou muito mais o Papa Francisco. Esse Papa parece ter entendido que a Igreja Católica tem sede, na verdade, na Terra, e não no Céu. Quero dizer que o Papa Francisco, como todo cristão franciscano, esta muito preocupado com os problemas sociais que afetam milhares de pessoas na Terra. Apesar do conservadorismo religioso, as vezes ele faz declarações polêmicas e que chacoalham os dogmas celestes da Igreja Católica.

Sua última declaração pede para que “mães solteiras” levantam suas cabeças e andem com dignidade na sociedade. Ele foi mais além. Batizou um filho de mãe “solteira” e afirmou que não existe o termo mãe “solteira”, já que ser mãe não é um estado civil.

Apesar de seu apoio ao Magistério da Igreja Católica com relação à homossexualidade, ele também pede constantemente respeito àqueles que possuem orientações sexuais diferentes. Em uma de suas declarações mais polêmicas, Papa Francisco afirmou que,

Se uma pessoa é gay e procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para a julgar? O Catecismo da Igreja Católica explica isso de forma muito bela, dizendo – esperem um pouco… como diz… Não se devem marginalizar estas pessoas por isso, devem ser integradas na sociedade.

Suas posições políticas estão alinhadas aos discursos modernizantes e simplificadores no Brasil. Se ele permanecer no campo do bom senso, da modernidade, da simplicidade e da sensibilidade aos problemas sociais, eu fecho questão com o Chico!

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