22 de October de 2018

Mães de bebês em UTI amamentam e contam com sala de ordenha na Santa Casa

Entre os benefícios estão a formação da imunidade da criança e a prevenção de alergias alimentares no futuro; hospital utiliza o método "canguru". Foto: Divulgação.

Para estimular o aleitamento materno, reduzir a mortalidade de recém-nascidos e colaborar para manter o estoque do Banco de Leite Humano em nível adequado, a Santa Casa de Misericórdia de Marília mantém um programa de apoio às mães de bebês internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Neonatal e Infantil. A iniciativa envolve as famílias, equipes médicas, profissionais de enfermagem e nutrição, além de funcionárias que também estão em fase de amamentação.

[contextly_auto_sidebar]A orientação da equipe especializada e a possibilidade da retirada do leite na sala de ordenha, no próprio hospital, deram mais segurança à professora Jackeline de Souza Pereira. Aos 36 anos, ela foi mãe de “primeira viagem” e teve o bebê internado dois dias após a alta da maternidade, devido a complicações e um quadro de icterícia.

“Sempre soube que o leite materno é fundamental para a saúde da criança, por isso fiquei preocupada quando ele veio para o hospital. Foi muito bom saber que existe uma sala de ordenha, que há profissionais especializados para nos instruir e que a amamentação não será interrompida”, disse a mãe.

Durante a internação do pequeno Júlio César, Jackeline passou horas no hospital. Parte do tempo também foi dedicado ao método conhecido como “mamãe canguru”, que consiste em tirar a criança da incubadora e manter os corpos da mulher e do bebê em contato direto, para que o recém-nascido sinta o calor da mãe. Além de preservar os vínculos, a prática contribui para o desenvolvimento do paciente.

Para proporcionar a atenção integral às mães e bebês, a Santa Casa de Marília promoveu treinamentos mais específicos e intensificou o diálogo entre médicos, profissionais de nutrição, psicologia, fonoaudiologia, entre outras áreas do conhecimento.

A médica Cristiane Bende Mustafá, especialista em medicina intensiva pediátrica, explica que tanto o aleitamento materno, quanto o canguru, estão descritas em protocolos como práticas fundamentais para a saúde do bebê. A relação de benefícios é extensa.

“A amamentação contribui para a imunidade e também é importante para a prevenção da alergia alimentar. Já o canguru, favorece a manutenção da temperatura do corpo e acelera o ganho de peso. Adotamos essa técnica assim que o quadro clínico do paciente permite”, afirma.

A auxiliar de nutrição Luciana Alzane Rufin, que integra o SND (Serviço de Nutrição e Dietética) da Santa Casa, explica que muitas mulheres chegam ao hospital angustiadas, com dores nas mamas,

alterações provocadas pela produção de leite (quando não são realizados os procedimentos corretos) e dúvidas sobre a alimentação dos bebês.

O primeiro atendimento é feito pela equipe médica e de enfermagem. Em seguida, elas são encaminhadas para o serviço de nutrição e passam a fazer a ordenha. Na maioria dos casos, o leite materno precisa ser retirado cinco ou seis vezes por dia.

Todo material coletado é encaminhado ao Banco de Leite de Marília e pasteurizado, antes de voltar para os bebês, das respectivas mães. Atualmente, a Santa Casa conta com são seis leitos para neonatos. Por protocolo, o  aleitamento pela própria mãe só deixa de ser feito se houver condição clínica desfavorável do paciente ou da mulher.

Por ser uma instituição com quadro de funcionários predominantemente feminino, a Santa Casa também estimula o aleitamento materno e a doação ao banco de leite humano entre as funcionárias, que também utilizam a sala de ordenha. “Com esse acolhimento, felizmente, a grande maioria das mulheres amamenta seu próprio filho e uma parte destas mães consegue, inclusive, doar o excedente e ajudar outras mulheres que têm bebê internado e não podem amamentar”, explica Luciana.

 

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