Vitória para Thiago. Derrota para Marília

Mariliense Thiago Bráz salta para o ouro no Rio. Foto: Divulgação.

Assim como o caso de Rafaela Silva, medalhista de ouro no judô nessas Olimpíadas, as narrativas em torno da vitória de Thiago Braz da Silva no salto com vara começam a aparecer.

Nascido em nossa cidade, o atleta, que foi criado pelos avós, praticava basquete até os 12 anos, quando foi incentivado pelo tio (praticante do atletismo) a mudar de esporte. Deu os primeiros saltos no estádio municipal “Pedro Sola” e logo mostrou potencial para a modalidade do salto. Sem perspectiva de evolução na cidade, o atleta mudou-se ainda jovem para treinar, e aos 18 anos já mostrava bons resultados, vencendo o Mundial Júnior de salto com vara, em 2012.

Com esse resultado, chamou a atenção do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), que tinha pressa em encontrar nomes que aumentassem a chance de medalhas do país sede dos jogos olímpicos. O COB decidiu por investir no treinamento de Thiago com o técnico ucraniano Vitaly Petrov, maior treinador da história na modalidade. O atleta foi morar na Itália em 2014 para treinar num moderno e estruturado centro de treinamento do esporte. Nessas Olimpíadas, veio o melhor resultado da carreira.

Thiago é vitorioso e tem todos os méritos por sua conquista. Obter resultados expressivos por um país onde qualquer esporte que não seja futebol é quase sempre amador é tarefa árdua. Porém, na sua trajetória, algumas coisas chamam atenção.

O atleta atleta não teve incentivo algum do poder público municipal. Em Marília há alguns bons projetos de base no esporte, mas que ocorrem bem mais pela boa vontade de alguns professores e ex atletas do que pelo impulso da Administração pública municipal.

Thiago é mariliense, mas não deve nada a cidade, mas sim à sua família e as pessoas que o ajudaram em sua carreira. Às vésperas de eleições municipais, estejamos atentos para que a história desse atleta não seja utilizada como uma narrativa dos falsos esforços dos políticos da cidade.

Infelizmente essa não é apenas uma realidade da nossa cidade. É grande a cegueira para com os investimentos no esporte de base. Que o maior legado dessas Olimpíadas seja esse aprendizado. O sucesso do topo, começa na base.⁠⁠⁠⁠

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