19 de August de 2018

Estudo aponta utilidade da casca de soja

Um estudo realizado por um grupo de pesquisadores do Instituto de Processos Biotecnológicos e Químicos da Universidade Nacional do Rosário (IPROBYQ/ UNR), na Argentina, tem objetivo de descobrir e incentivar o uso da casca da soja na indústria. Guillermo Picó, pesquisador do Conselho Nacional de Investigações Científicas e  Técnicas (CONICET) e diretor do Instituto, afirma que já estão sendo obtidos resultados animadores através de métodos que não prejudicam o meio ambiente.

“Um das coisas que observamos é que a casca tem muito pouca lignina, que é o que dá dureza e cor à madeira. As fábricas de papel, que usam madeira das árvores para fazer polpa de celulose para remover a lignina e obter a cor branca, usam reagentes químicos muito tóxicos. Com o resíduo de soja, tendo uma quantidade muito baixa de lignina, podemos usar um processo enzimático que é mais barato e também não polui o meio ambiente “, explica.

Segundo ele, a Argentina é o terceiro maior produtor mundial de soja, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Brasil, vendendo 56 milhões de toneladas apenas no ano anterior. Nesse cenário, acaba sendo desperdiçado uma grande quantidade de cascas da oleaginosa, já que uso de biomassa vegetal ainda é pouco difundido no País.

“Como consequência da quebra, surge a casca de soja, resíduo que representa 2% do peso. Supondo-se que 20 milhões de toneladas por ano são processados nesta área, a escala representa aproximadamente 400.000 toneladas por ano “, comenta.

O pesquisador também salienta que a casca é uma ótima fonte de proteases, que são muito utilizadas para esterilizar equipamentos médicos. Além disso, Picó acrescenta que o custo da utilização da casca é quase nulo porque uma pequena parte dela é utilizada como alimento para o gado e o resto é queimado ou descartado para o meio ambiente.

“Estes resíduos representam milhares ou milhões de toneladas de fontes de carbono e outras moléculas de importância biotecnológica. Muitas dessas moléculas na Argentina são importadas, por isso, se você aplicar tecnologias desenvolvidas localmente e usar equipamentos nacionais de construção, elas poderão ser recuperadas e colocadas no mercado “, analisa ele.

A pesquisa teve recursos do Fundo para a Investigação Científica e Tecnológica (FonCyT), da Agência Nacional de Promoção Científica e Tecnológica (ANPCyT) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação produtiva da província de Santa Fé.

Fonte: Agrolink – Leonardo Gottems

###/Mauricio Picazo Galhardo

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