Asfalto, dengue e os adjetivos que estamparão os jornais no ano eleitoral em Marília

Pilha de jornal pronta para ser despachada. Foto: Consul.
Pilha de jornal pronta para ser despachada. Foto: Consul.

Duas das primeiras informações oficiais da Prefeitura Municipal de Marília em 2016 dizem respeito aos trabalhos de tapa buraco e combate à dengue. São duas áreas que fizeram o mariliense sofrer durante a administração Vinícius Camarinha (PSB) em 2015. A dengue foi gerida de tal modo precário que o alto número de pacientes infectados e as dezenas de mortos fizeram com que a campanha de combate à dengue em Marília virasse objeto da Justiça. Os buracos na cidade são visíveis e sentidos e não há um canto onde não se tem que escolher “qual o pior buraco para passar com o carro”.

[contextly_auto_sidebar]Apesar de tudo isso, o que se lerá na maioria dos jornais impressos e online da cidade daqui em diante são adjetivos que passam longe da realidade da cidade nas diversas área, como saúde, água, asfalto, governança e transparência. Os problemas, geralmente fora das pautas, vão da falta de água, principalmente na zona norte, o desaparelhamento das UBS e USF no atendimento aos mais necessitados até a ausência de eventos culturais e praças de lazer e esportivas. Nada de “problemas” para o contribuinte, “infectados” e “mortos” pela dengue, situação “precária”, “pior” buraco ou “imediata paralização da concessão do Daem”. Em jornais da cidade pode ser lido coisas como “grande operação tapa buracos” e “grande ação de bloqueio e controle de criadouros para combate ao mosquito Aedes Aegypti”. Vamos ler muito a palavra “reforma”, “investimento” e principalmente “inauguração”.

2016 é ano eleitoral e o mariliense parece ter se acostumado a receber o seu dinheiro de impostos de volta em bons serviços públicos apenas uma vez a cada quatro anos. Pena!

Fora isso, outras frases que parecem vir com tudo neste ano fazem parte da velha retórica da atual administração, que propaga o “grave momento da economia do país”, e como esta crise afeta a Prefeitura de Marília, apesar das constantes aberturas de créditos suplementares com excesso de arrecadação em 2015. Há ou deveria haver dinheiro em caixa. Ajuda ao contribuinte durante a crise? Melhor aumentar o IPTU em 10,69%, no penúltimo dia de 2015, e depois virar as costas para a Santa Casa de Marília. Muito também se lerá sobre a eterna culpa das administrações anteriores, que deixaram um asfalto velho, para que esta administração tape os buracos com uma “casca” alérgica a água em ano eleitoral.

O abismo entre a linguagem oficial e a realidade das ruas já é manjado para muitos. Mas os jornais impressos da cidade aproveitam, com muita frequência, 100% dos textos e fotos produzidos pela assessoria de imprensa do prefeito Vinícius Camarinha, como é o caso do Marília Global. Nossa diferença, contudo, é que não simplesmente mudamos ou ocultamos, de maneira antiética, o autor do texto. Aqui as matérias são publicadas com autoria da Prefeitura Municipal de Marília. Em outros veículos de comunicação, os textos são “apropriados”. Pena que falta bom jornalismo em Marília.

A sugestão do Marília Global, neste caso, é a seguinte: comprem um exemplar qualquer de janeiro de 2016 de cada jornal impresso na cidade e voltem a comprar outro apenas no dia 31 de dezembro de 2016. Como as novelas de televisão, você vai sentir que perdeu nada durante o tempo longe das telas.

As informações e os importantes debates que marcarão os rumos da cidade em 2016 vão aparecer, na verdade, na nova praça pública do século XXI, isto é, as redes sociais, onde, diferente dos jornais impressos em Marília, todos tem voz e nenhuma história tem apenas um lado.

Entre na conversa...