18 de September de 2018

Dizem que os jovens não gostam de política! É verdade mesmo? — por DJ Sayer

Apesar da desilução com a política tradicional e do voto facultativo, jovens não podem abrir mão de ir às urnas em outubro. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Apesar da desilução com a política tradicional e do voto facultativo, jovens não podem abrir mão de ir às urnas em outubro. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Nós nascemos seres políticos mas demoramos a dar conta disso.

Desde a escola aprendemos inconscientemente através da socialização, que somos políticos por natureza. Eleições de representante de Classe, Grêmio estudantil, Associação de Pais e Mestres e até negociar com a Direção da escola o adiantamento de aula (se você estudou/estuda em escola Pública sabe do que estou falando), estão presentes desde nossa formação educacional.

Hoje somos milhões de especialistas compartilhando textos da Carta Capital ou Veja nas redes sociais. O que não se aprende nessas publicações ou no Facebook: votar com sensibilidade, senso de justiça, votar com consciência social, discernir o que é melhor para o Município e o mais importante que é instruir de maneira responsável o futuro da cidade/estado/Brasil que são nossos jovens.

Uma boa parte da juventude de Marília contribuiu para os 28% dos votos, se somado nulos, brancos e abstenções nas eleições de 2012. Isso quer dizer que essa soma seria a segunda colocada na eleição passada, número extremamente impressionante: exatos 43.160 votos.

O jovem não é um sujeito isolado do restante da sociedade. A realidade é que a juventude as vezes tem um engajamento político que não vemos num líder de família ou em outro segmento social. E devido os últimos acontecimentos no país, repetir em Marília mais de 19% de abstenções seria retrógrado — acredito seriamente que este número deva diminuir.

De um outro lado não podemos pesar nos ombros da juventude todo o futuro social de uma cidade. Há também uma idéia que por se tratar de jovens, as ações políticas que vem deles será sempre boa e isso é um erro. Alguns ainda carregam posições radicais, seja conservadora ou anarquista, dos próprios pais ou avós. Não basta apenas que o jovem participe, mas sim como será a qualidade dessa participação, quais são seus dogmas, sua formação, seu conteúdo ideológico e principalmente ouvir deles suas experiências e anseios.

É óbvio que os jovens gostam de Política. Eles falam dela nas rodas da escola, igreja, barzinhos e está presente cada vez mais no seu cotidiano. Em algum momento, discutem mobilidade urbana, primeiro emprego, educação, questões sociais e acesso a cultura, coisas que vão passar diante da suas vidas. Falta uma ação Política para encaixar os jovens nesse debate e fazer alguns deles entenderem que discutir Política é tratar da nossa vida, do contrário essa conversa sempre será um tema distante para eles.

O cinismo descrente em algumas pessoas não vai mudar nossa atualidade muito menos nosso futuro, mas a esperança está na simplicidade dos trabalhos de formação de base, nas experiências dos coletivos culturais que pipocam nas periferias, no trabalho do voluntariado que se dedicam aos jovens, nos empresários que entendem que eles são o verdadeiro investimento,  e principalmente no jovem que consegue sentir no coração, que para conquistar a utopia de menino que ele enxerga lá fora, ela primeiro precisa estar dentro de nós…

Sayer Aurélio, 38 anos, conhecido como DJ Sayer, é empresário e professor de música em Marília. Ele também é pré-candidato a vereador na cidade.

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