21 de March de 2019

Santa Casa de Marília faz primeira angioplastia com stent absorvível da região

Dr Pedro Beraldo, integrante da equipe da Hemodinâmica, ao lado do bancário aposentado Cid Lourenço, 66, que recebeu a endoprótese. Foto: Divulgação.
Dr Pedro Beraldo, integrante da equipe da Hemodinâmica, ao lado do bancário aposentado Cid Lourenço, 66, que recebeu a endoprótese. Foto: Divulgação.

Considerada um avanço no tratamento da aterosclerose (obstrução das artérias por placas de gordura), a angioplastia é uma técnica cada vez mais segura. A Santa Casa de Marília, que disponibiliza o procedimento por meio do setor de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, acompanha essa evolução e realizou, na última terça-feira, 10, a primeira angioplastia da região com stent absorvível. O paciente é o bancário aposentado Cid Lourenço, de 66 anos. Ele comemorou o resultado da intervenção, que reverteu um quadro de obstrução de 80% da artéria.

O implante foi realizado pelos hemodinamicistas Pedro Beraldo de Andrade e Fábio Salerno Rinaldi. Até então, pacientes de apenas quatro cidades de São Paulo haviam recebido o stent absorvível, uma tecnologia norte-americana recentemente adotada no Brasil.

Beraldo explica que o stent é um dispositivo expansível, implantado no local em que a artéria está obstruída. Diferentemente das ligas metálicas permanentes, o material absorvível consiste de um polímero que desaparece do organismo em até dois anos, convertendo-se em gás carbônico e água. O primeiro implante aconteceu há cerca de cinco anos na Europa, com eficácia comprovada.

[contextly_sidebar id=”YrMiwCS15iXhTfyNoKuuXahIz810OdJo”]Mas, para que a novidade chegasse aos centros especializados, foram necessários muitos anos de pesquisa. Ao longo dos últimos 20 anos, a delicada endoprótese foi aperfeiçoada em relação ao seu design e material, visando maior eficácia e segurança.

“A angioplastia consiste em um dos pilares no tratamento da doença aterosclerótica coronariana. Quando começou a ser utilizada, inicialmente apenas com balões, representou um grande avanço científico, mas apresentava elevadas taxas de recorrência e de complicações. Com o tempo, a Cardiologia Intervencionista, que se dedica a procedimentos cardíacos minimamente invasivos, vivenciou o advento de novas ferramentas, como os stents convencionais, os farmacológicos e agora os dispositivos absorvíveis”, explica Beraldo.

Uma das principais complicações com o uso do stent convencional, produzido com liga metálica, era uma reação gerada pelo próprio organismo. Em média, 15% dos pacientes que recebiam o stent desenvolviam a reestenose, ou seja, a cicatrização indevida no local da intervenção. Por isso, a segunda geração de stents agrupou a tecnologia dos fármacos, liberando no local da lesão medicações capazes de controlar a cicatrização.

Um efeito indesejável, tanto dos stents convencionais quanto dos farmacológicos, é a alteração na conformabilidade da artéria. Especialistas acreditam que a presença do material rígido possa ser causador de angina (dor no coração). Com o novo stent absorvível, pesquisadores constataram que a anatomia da artéria coronária é preservada após seu desaparecimento.

O implante, porém, não é indicado para todos os casos até o momento. Em um grupo de dez pacientes, a estimativa é que dois ou três poderiam usar o material absorvível. O médico explica que, pela sua própria constituição, o novo stent é recomendado para intervenções de menor complexidade anatômica. Quando há maior dificuldade de acesso à lesão, seja por tortuosidade ou calcificação excessiva, os médicos precisam utilizar o dispositivo com liga metálica.

“Acreditamos que as pesquisas avançarão nesse sentido, para que haja um aprimoramento dos materiais e possamos, no futuro, ter um número cada vez maior de implantes de stents absorvíveis com manutenção da eficácia e segurança”, disse o médico.

Coração aberto

Apesar da pressão arterial 12/8, da alimentação equilibrada e da atividade física frequente, o bancário aposentado que recebeu o stent poderia ter sofrido seu terceiro infarto. Ele conta que o primeiro aconteceu em 2002 e o mais recente em agosto deste ano.

Foi em decorrência da nova intervenção cardíaca, há dois meses, que Lourenço descobriu a terceira obstrução. “Felizmente, pela competência dos médicos que me atenderam, foi constatado a tempo que eu estava com 80% dessa artéria comprometida. Se não fosse esse alerta, eu não estava aqui hoje, colocando esse stent de forma tranquila, programada e preventiva. Poderia estar infartado de novo”, conta o paciente.

Cid Lourenço agradeceu a equipe da Santa Casa de Marília e disse ter ficado honrado em ser o primeiro paciente beneficiado pela inovação em Marília. “Acredito que estamos evoluindo, avançando em conhecimento e a vida no futuro será muito melhor, do ponto de vista da saúde, para as novas gerações”, afirma.

O bancário faz um alerta para o estresse, um fator de risco nem sempre valorizado e comenta a resistência de parte da população ao acompanhamento médico. “Eu estava fazendo meu ‘autodiagnóstico’. Em agosto, cheguei ao hospital infartado, mas não aceitava o que estava acontecendo, porque eu faço atividade física, me alimento bem e minha pressão (arterial) é excelente. Isso é um erro. Temos que confiar nos médicos e não podemos esquecer que o estresse também prejudica a saúde”, disse.

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