24 de August de 2019

Solidariedade de marilienses garante comida no prato e teto na cabeça diante do terror do abandono

TEMPESTADE EM MARÍLIA

Passagem da tempestade no Flamingo deixou centenas de estragos.
Passagem da tempestade no Flamingo deixou centenas de estragos.

A ajuda àqueles que foram mais atingidos pela tempestade que passou em Marília, nesta terça-feira, tem se multiplicado pela cidade.

Um grupo de voluntários na EMEF Paulo Freire está reunido desde quarta-feira para um trabalho intenso de preparação de comidas aos desabrigados, na Zona Sul. Pessoas como Elaine, professora na escola, não tem medido esforços para ajudar e conscientizar amigos e colegas sobre a necessidade de ajuda. As ações no Paulo Freire tem sido possíveis também por meio da solidariedade de empresários da cidade. Cerca de R$ 6 mil em alimentos foi doado pelo Supermercado Kawakami ao grupo de voluntários no Paulo Freire.

Na Zona Oeste, membros da Associação de Moradores do Jardim Flamingo também não tem medido o tamanho do esforço frente ao desafio de ajudar quem foi atingido pela tempestade. Vice-presidente da Associação, Alberto Schiavon Conde, um senhor que não apenas tem investido uma boa soma de dinheiro do próprio bolso na aquisição de alimentos e telhas, mas enfrenta escada e altura para ajudar no conserto dos telhados das casas.

A Presidente da Associação, a enfermeira Maria de Fátima Guilherme, tem tido a calma suficiente para organizar esforços e fazer a triagem das situações dos moradores que mais precisam para indicar no momento que aparece alguém oferecendo ajuda. É o que aconteceu com Simone O., moradora na comunidade. Saindo de um trauma acarretado pela perda de seu filho, devido a uma séria condição de saúde, Simone se viu novamente diante do terror do abandono quando a tempestade levou o telhado de sua casa, deixando apenas as parcelas no cartão que ainda não foram pagas.

A ajuda se intensifica para além de grupos de voluntários e líderes comunitários. Marilienses tem contribuído aos montes de maneira individual. M.A. e R. tem dado um exemplo de solidariedade nos quatro cantos da cidade. A casa de Simone recebeu telhas que foram doadas pelo casal. Quem também se beneficiou com as doações do casal foi Guido. Ele perdeu o telhado junto com todos os eletrodoméstico e móveis, na Zona Oeste.

Diante do terror do abandono, as ajudas públicas não são as que chegam primeiro. As decisões administrativas e políticas dependem dos trâmites da burocracia, da logística e da prioridade dos interesses, o que pode implicar em demora na chegada da ajuda aos necessitados e instaurar um sentimento de terror do abandono. Há lugares na cidade que ainda estão a espera de lonas, telhas e postos de controle para realizarem os cadastros para a ajuda necessária. Há muito trabalho pela frente, ainda.

* Alguns marilienses preferiram não ter seus nomes revelados.
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