16 de July de 2018

Políticos rebatem operação da PF para combater crimes na CMN

Abelardo Camarinha na Assembléia Legislativa de São Paulo. Foto: Assembléia Legislativa de São Paulo.
Abelardo Camarinha na Assembléia Legislativa de São Paulo. Foto: Assembléia Legislativa de São Paulo.

Os dois principais políticos envolvidos nas investigações da PF (Polícia Federal) divulgaram nota à imprensa ontem (10). Abelardo (deputado estadual) e Vinícius Camarinha (atual prefeito), ambos do PSB, negaram qualquer envolvimento com o grupo de comunicação CMN (Central Marília de Notícias).

O nome da operação da PF, “Miragem”, indica um dos principais objetos de investigação sobre a CMN. A CMN, que abriga o jornal Diário de Marília e as rádios FM Diário e AM Dirceu, estaria publicando notícias distantes da realidade da cidade, causando uma “miragem” aos olhos dos seus leitores e ouvintes e beneficiando os políticos perante o eleitor.

Tecnicamente, a Operação “Miragem” foi instalada em Marília para o combate de crimes de falsidade ideológica, uso de documentos falsos, sonegação fiscal, atividade de telecomunicação clandestina e evasão de divisas. Os envolvidos nesses crimes teriam como base a CMN.

Vínculos com a CMN

Em janeiro deste ano, Abelardo Camarinha já havia sido condenado por “vínculos” com a CMN e o jornal Correio Mariliense (Canal 4 de Marília), hoje fechado e com dívidas trabalhistas. Na ocasião, Camarinha foi acusado de abuso do uso da mídia e do poder econômico para eleger-se deputado em 2014.

O presidente da Corte e relator do caso, o desembargador Mário Devienne Jr., rechaçou todos os argumentos da defesa de Camarinha. O desembargador ainda apontou mais de 70 matérias do jornal Diário enaltecendo Camarinha e denegrindo seus adversários em Marília e admitiu a relação do deputado com os meios de comunicação.

Condenado por unanimidade, Camarinha teve o diploma cassado, os votos obtidos em 2014 anulados e ainda tornou-se inelegível por 8 anos. Ele recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aguarda julgamento no cargo de deputado.

Assim como são investigados pela PF, naquela situação também foram condenados a sócia-proprietária do grupo de comunicação CMN, Sandra Mara Norbiato, e o administrador do mesmo complexo de rádios e jornal, Edinaldo Perão.

Notas

Abelardo Camarinha diz que “em face da operação deflagrada pela Polícia Federal nesta data em Marília, esclarece que não tem nenhum envolvimento com as investigações, encontra-se em São Paulo desenvolvendo seus trabalhos na Assembleia Legislativa e órgãos públicos e não tem conhecimento das movimentações, assim como não tem qualquer envolvimento  com as mesmas. O parlamentar, neste ato, manifesta estranheza pelo fato das referidas movimentações ocorrerem em pleno período eleitoral e tendo como alvos apenas alguns comitês políticos. Estranha também a presença de conhecidos políticos durante toda a operação e até mesmo antes da chegada de viaturas em alguns locais averiguados.”

A prefeitura e o prefeito de Marília, Vinícius Camarinha, disseram que “a respeito das operações promovidas pela Polícia Federal na cidade de Marília, em 10/08, a prefeitura de Marília e o prefeito vêm a público esclarecer que não têm nenhum envolvimento com os fatos, já que se trata de investigação a um grupo privado da cidade. A prefeitura foi procurada simplesmente para esclarecimento de que se haveriam possíveis pagamentos ao referido grupo. Todas as informações solicitadas foram prestadas pela prefeitura, que reafirma publicamente não existir qualquer participação da mesma ou de qualquer servidor municipal com os fatos investigados. A prefeitura e prefeito reiteram também que continuarão à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento que se faça necessário.”

A CMN disse, em nota, que “não vai se pronunciar sobre a operação da Polícia Federal.”

 

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