“Pizza” ou delação? Justiça revoga prisões da Operação Miragem

Policias federais na sede do jornal Diário de Marília e Rádio 95,9. Foto: Leitor.
Policias federais na sede do jornal Diário de Marília e Rádio 95,9. Foto: Leitor.

No noite de ontem, a desembargadora Cecília Mello, do TRF – 3ª Região (Tribunal Regional Federal) revogou as cinco prisões expedidas na Operação Miragem, da Polícia Federal. Dois presos já haviam sido capturados, um em Marília e o outro em Ribeirão Preto.

Os seus nomes não foram divulgados pois a Operação corre sob segredo de justiça. Mas todos eles teriam vínculos com a CMN (Central Marília de Notícias), do jornal Diário de Marília e as rádios FM Diário e AM Dirceu.

Assim que a revogação tornou-se publica, os marilienses se expressaram na rede social Facebook. Uma parte achou estranha a decisão da desembargadora. Outra desconfia que a decisão da desembargadora Cecília Mello tire o ímpeto das investigações da PF.

Para o ex-presidente da OAB Marília e da Santa Casa de Misericórdia, o advogado Julio Brandão, é “estranho e excepcional a revogação sumária da temporária antes do prazo legal. Talvez sua decretação tenha sido frágil”. Com a mesma estranheza, Gilberto Martins, da Matra, disse que “Nada entendo de leis, mas que foi muito rápido a soltura, isso foi…. diferente dos casos recentes da Lava Jato, só não crer que seja mais uma manobra rasteira desse time de usurpadores de Marília”.

Para o cientista político e professor universitário na Unesp-Marília, Marcelo Fernandes, “A prisão temporária ocorre exclusivamente pelo tempo necessário para a realização do ato investigativo. Trata-se de um instrumento rápido e de frágil manutenção. Aliás, é normal ser revogada rapidamente como foi no caso da Operação Miragem”.

Fernandes também rebate as fofocas de que a Operação Miragem acabará sem a condenação dos eventuais criminosos, a famosa “pizza”, no jargão popular.

“Diferentemente do que muitos estão dizendo, a soltura dos presos deve ter ocorrido porque os documentos apreendidos comprovam a veracidade das acusações, bem como um dos dois presos deve ter colaborado com a Justiça esclarecendo aquilo que a PF procurava. Conhecendo bem o preso aqui em Marilia, nas poucas horas que ficou na carceragem, ele ‘piou’ e entregou toda quadrilha. Assim sendo, não faz sentido mais ficarem presos ou procurados”.

Por fim, Fernandes reiterou sua confiança no delegado responsável pela Operação Miragem.

“Agora a PF vai trabalhar sobre as provas e montar o inquérito para condenar todos e, em seguida, fazer cada criminoso pagar pela sua pena individualmente. E se fosse pizza, as rádios já estariam funcionando novamente. Tente sintonizar para ver se você consegue. O delegado Menin é jovem, experiente, respeitado, atua na Lava Jato e sabe o que está fazendo. Nenhum juiz passaria por cima dele e soltaria se a situação não fosse essa descrita aqui. Vamos todos ficar em paz é certo de que, nos, povo de Marilia, estamos com a alma lavada. Daqui para frente todos sabem que o que esse grupo de mídia e de políticos falarem é pura miragem, mentira das grandes!”

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