Inflação faz consumidor alterar seus hábitos para não deixar de comprar itens preferidos e supermercados sentem efeito

ALTA DOS PREÇOS

Com a alta dos preços, consumidor opta pela mudança de hábitos de compra nos supermercados de Marília e região
Com a alta dos preços, consumidor opta pela mudança de hábitos de compra nos supermercados de Marília e região

Fazer compras durante o período de inflação está exigindo cada vez mais atenção do consumidor. Isso porque os preços têm sido impactados por fatores como a alta do dólar e o reajuste nas contas de energia elétrica. Sem falar da entressafra e do período de estiagem, que costumam comprometer a oferta de alguns produtos e estimular o aumento de preços.

Segundo a APAS – Associação Paulista de Supermercados, nesse período de inflação o consumidor adota algumas técnicas seguindo um raciocínio lógico, com o intuito de não perder seu poder de compra adquirido, sendo: 1º Verifica pontos de vendas mais baratos, optando muitas vezes pelo atacado;  2º Faz compras em determinado período do mês, apenas; 3º Opta por diferentes tipos de embalagens (com mais produtos a um preço menor); 4º Troca marcas convencionais por mais baratas; 5º Deixa de comprar itens.

Segundo explica o gerente do Departamento de Economia e Pesquisa da APAS, Rodrigo Mariano, 70% das compras são de abastecimento ou reposição, que possuem uma dinâmica distinta de uma compra de emergência ou consumo imediato.

Rodrigo observa dois comportamentos: a classe C deixou de comprar os supérfluos e trocou a marca líder pela segunda marca colocada, e a classe A e B busca ganhar promoções e prazos para não abrir mão de produtos premium.

“Hoje o consumidor economiza nos produtos de limpeza, mas não abre mão dos itens premium que adquiriu no passado, quando seu poder de compra era maior. Ele também acaba deixando os supérfluos e trocando as marcas mais caras pelas mais baratas”, diz.

Supermercados sentem os efeitos da crise econômica

Setor observa o maior fechamento de vagas desde 2010. Em um cenário de crise econômica em que os setores estão mais demitindo que contratando, o setor supermercadista, que até então vinha na contramão, agora começa a ser impactado.

Somente em junho deste ano foram registradas 23.709 demissões contra 21.750 contratações, ou seja, um saldo negativo de 1.959, o pior registro desde 2010.

O número só não é maior em comparação com os meses de janeiro, em que tradicionalmente o saldo costuma ser negativo, pois muitos postos de trabalho são criados no final do ano, mas nem todos são efetivados posteriormente. No ano passado, junho totalizou 23.830 contratações contra 23.681 demissões, que resultaram em um saldo positivo de 149 vagas.

 Junho

Admitidos Demitidos Saldo Mensal Saldo Total Variação Mensal

2010

19.834 18.235 1.599 426.366 0,38%

2011

22.543 21.966 577 447.852 0,13%

2012

22.611 21.962 649 464.680

0,14%

2013

23.759 22.776 983 482.561

0,20%

2014

23.830

23.681 149 498.811

0,03%

2015

21.750 23.709 -1959 511.346

-0,38%

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