16 de November de 2018

Confiram o desabafo e a arte do artista plástico Marco Angeli Full inspirados pela seleção

Marco Angeli Full é escritor e artista plástico na cidade de São Paulo.

Telentoso e inteligente, Marco Angeli Full escreveu um belo relato sobre sua experiência com a seleção brasileira de futebol em tempos de Copa do Mundo. De brinde, saboreiem os seus belos e emocionantes desenhos que captam um pedacinho da caminhada dos nossos jogadores e comissão técnica durante o evento no Brasil.

Há muito tempo, menino pequeno, num certo mês de julho, eu observava meu pai, ouvido colado no rádio, torcer pelo time do Brasil, pela seleção. Nas ruas, a mesma coisa. Era uma febre. Nos radinhos, os locutores berravam os nomes de Djalma Santos, Vavá. Amarildo, Garrincha… Talvez eu tenha começado a gostar da Copa do Mundo nessa época, naquele mês de julho, menino ainda.

Nunca fui lá muito ligado em futebol. Mas a Copa do Mundo sempre foi especial. De certa forma, parecia ser uma forma do brasileiro ter orgulho de ser o número um em alguma coisa. E parecia estar também acima das mazelas políticas que transtornavam como sempre este país. Alguma coisa mágica -esse futebol- que sobreviveria a tudo e a todos, para sempre.

Nesta Copa, pela primeira vez, desenhei alguns dos jogadores. Como todo brasileiro torci pelo Brasil, apesar de todos os pesares, apesar de todos os riscos, apesar de notar claramente o uso político que se tentava fazer do esporte, como já tentado antes, a exemplo da ditadura em 1970. Achei, como aquele menino pequeno, ingenuamente, que o esporte ainda sobreviveria, incólume. Como um esporte nacional, um orgulho. E que, mais uma vez, independente de ser ou não no pobre Brasil, seria uma copa inesquecível.

E foi. Será inesquecível por ter sido talvez a que tenha tido o pior time de todos os tempos, o pior treinador de todos os tempos, ou ter sofrido a pior derrota de todos os tempos. Mas isso não importa. O que importa mesmo é que já não podemos acreditar como meninos. É hora de crescer e perceber que como nação temos que ser bons em muita coisa além de um único esporte. Verdade, crescer dói. As vezes muito, como estamos vendo por aí. Mas é preciso. Ou seremos eternamente iludidos, pra sempre os ‘reis do futebol’, nas ‘copas das copas’, num país injusto, pobre, atrasado e corrupto.

Então, pela primeira vez, desenhei os jogadores dessa seleção. Que tenham alguma utilidade. Que sirvam de registro dessa mudança. Porque, depois de 8 de julho, muita coisa mudou.

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