20 de July de 2018

Por que eu torci para o Brasil e por que eu torceria de novo

Lidu Lucena especial para o #PitacosdoInada. Lidu é médico ortopedista na Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, na Prefeitura Municipal de São Paulo e no Hospital Samaritano de São Paulo

Lidu Lucena e seu filho à caminho do Itaquerão para assistir a abertura da Copa

Um pouco mais calmo após o massacre pelo qual fomos submetidos no dia de ontem, resolvi elaborar algumas considerações sobre a seleção do Brasil.

A primeira é que perdemos para um time melhor preparado, uma seleção que construiu seu próprio centro de treinamento em nosso pais e que, pasmem, só folgou um dia desde que pousou no Brasil para a Copa. Se não bastasse tudo isso, em todos os treinos somente 15 minutos são abertos à imprensa e o restante do treinamento é fechado e dedicado a treinos táticos.

Para quem acompanhou a preparação brasileira, já pode perceber a diferença. Treinos abertos ao público, várias folgas e um Centro de Treinamento totalmente exposto, que possui um clima totalmente atípico do restante do pais. Ausência de treinos táticos foram uma constante e, ao invés, via-se sempre aquele tradicional rachão, prática totalmente proscrita nos grandes centros do futebol.

Se não bastasse tudo isso, sofremos com a pior safra de jogadores de que me lembro, a exceção do Neymar. O futebol brasileiro precisa se reciclar, precisa trazer ideias novas, treinadores estrangeiros gabaritados, adequar nosso calendário ao do resto do mundo e, principalmente, precisamos investir nas nossas categorias de base.

Descreveria mais mil defeitos, mas a sensação que sinto agora é a de decepção, sensação esta que achava que nunca mais sentiria pela nossa seleção. Desde 1994, não ligava mais para nossa seleção. Futebol pra mim era o meu time, adorava a música que dizia “Seleção é o c…, minha seleção é o time do São Paulo”, mas nessa Copa aquele sentimento de vibrar com a seleção me contagiou. Não sei se por ter meu filho ao meu lado agora, vibrando, se divertindo, tendo a oportunidade de ir à um jogo de abertura de Copa do Mundo, começando a amar a magia desse esporte que é o futebol.

Só sei que torci demais e tirei uma conclusão: mesmo se voltasse no tempo, torceria da mesma forma. Acho que devemos valorizar mais nossa cultura e o futebol é um modo do brasileiro, povo tão sofrido, se divertir um pouco. Futebol é uma das poucas coisas que faz o brasileiro encher o peito, levantar o nariz e não se sentir inferior a ninguém.

Devemos pensar em política sim, votando em pessoas corretas e que tragam ideias para melhorar nossas desigualdades e que não se deixem corromper pelo sistema, mas isto tem que ser feito nas urnas e no dia a dia, cobrando daqueles que nós elegemos. Torcer por nossa seleção não influi na nossa responsabilidade civil de votar corretamente e tentarmos ser uma sociedade representada por pessoas corretas e dignas do nosso povo. Torcer pela seleção nos faz treinar um patriotismo que aos poucos vem sendo esquecido e que precisamos para nos tornarmos uma sociedade melhor.

Torci para o Brasil sim, e torceria de novo.

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