Servidores públicos municipais se sentem enganados por sindicato e empresário

Poder público, classe empresarial e sindicato comemoram cartão alimentação. Foto: Divulgação. Poder público, classe empresarial e sindicato comemoram cartão alimentação. Foto: Divulgação.
Poder público, classe empresarial e sindicato comemoram cartão alimentação. Foto: Divulgação.

O caso do cartão-alimentação dos servidores públicos municipais ainda gera críticas dos servidores. O curioso é que os alvos são tanto o Sindimmar (Sindicato dos Servidores Municipais de Marília) quanto a classe empresarial.

Em 25 de abril, os vereadores aprovaram o projeto de lei do Executivo para implementar o cartão alimentação no valor de R$ 125,00 aos servidores públicos municipais, em substituição à cesta básica fornecida até então. Os servidores ficaram descontentes com o valor acordado entre a Administração de Vinícius Camarinha (PSB) e o Sindimmar.

Um grupo de servidores saiu dizendo que o sindicato não representou os interesses da categoria na negociação e, mais uma vez, a atual Administração não “olhou” para os servidores. Eles justificaram as críticas no fato de a Câmara Municipal pagar o dobro em vale-alimentação aos seus servidores, isto é, R$ 250,00.

A preocupação era que com os R$ 125,00 os servidores não iriam conseguir comprar os mesmos itens que eram entregues na cesta básica.

Classe empresarial

No mesmo dia em que a Câmara aprovou o projeto de lei, o empresário Eduardo Kawakami, proprietário do Supermercado Kawakami, saiu em defesa do acordo entre Prefeitura e Sindimmar. Ele afirmou que com o valor inicial do cartão de R$ 125,00 os servidores conseguiriam comprar os mesmos itens da atual cesta básica.

Na ocasião, Kawakami se comprometeu em aderir a lista e “realizar promoções” para garantir que os servidores mantivessem o seu poder de compra com o cartão-alimentação. O empresário ainda se comprometeu em deixar prontas em seu supermercado cestas básicas com os mesmo itens que compõe a cesta básica dos servidores.

Eduardo Kawakami e Mauro Cirino saem em defesa do acordo entre Prefeitura e Sindimmar. Foto: Divulgação.
Eduardo Kawakami e Mauro Cirino saem em defesa do acordo entre Prefeitura e Sindimmar. Foto: Divulgação.

Já o presidente do Sindimmar, Mauro Cirino, falou que durante a reunião Eduardo Kawakami havia se comprometido também em agendar outras reuniões do Sindicato com os proprietários ou representantes de outros supermercados, como o Tauste, Bom Preço, Confiança, Preço Certo, Amigão e Florentino.

O atual prefeito sancionou a lei no dia 30 de abril na sede da Acim (Associação Comercial e Insdustrial de Marília) e contou com a presença de um setor da classe comercial mariliense. Estiveram presentes em apoio ao cartão alimentação o diretor regional da Apas (Associação Paulista de Supermercados), Antonio Carlos Collato, proprietário do Supermercado São Bento, o presidente da Acim, Libânio Nunes Oliveira, o presidente do Sindimmar, Mauro Cirino, o empresário Rogério Montolar, proprietário do Supermercado Tauste, Eduardo Kawakami e o empresário Jad Zogheib, do Supermercado Confiança.

Sindplus

No dia 17 de junho, a Prefeitura contratou a empresa Sindplus Administradora de Cartões, Serviços de Cadastro e Cobrança Ltda ME para prestar serviços de emissão, gerenciamento e distribuição de cartão alimentação no valor mensal de R$ 125,00 aos 7.000 servidores ativos e inativos da Prefeitura.

O contrato foi firmado no valor total de R$ 10.500.000,00 e terá validade de um ano.

De acordo com o contrato, a Sindplus deveria disponibilizar uma rede credenciada com no mínimo 50 estabelecimentos distintos entre hipermercados, supermercados, atacadistas, empórios, mercearias e estabelecimentos congêneres.

A primeira lista com a rede de credenciadas divulgada recentemente conta com 65 estabelecimentos. Contudo, nenhuma das grandes redes de supermercado prometidas por Mauro Cirino e Eduardo Kawakami fazem parte da primeira lista e, portanto, não venderão aos servidores municipais via cartão alimentação, inclusive o próprio supermercado Kawakami e os supermercados Tauste e Confiança.

Em gravação de áudio, um diretor do Sindimmar disse que “a Sindplus procurou as grandes redes em Marília e nenhuma quis aderir”.

Servidores

Quem vai pagar o pato, por ora, são os servidores que se tornam reféns dos preços praticados por pequenos negócios que não possuem escala e, portanto, compram mais caros dos fornecedores e consequentemente vendem mais caro aos clientes.

Com isso, o poder de compra dos servidores com o cartão alimentação diminuiu, como eles haviam previsto em abril, apesar de todo oba-oba do poder público, da classe empresarial e do Sindicato.

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