Processo de Impeachment faz da compra de votos uma piada de mau gosto

Deputado Aelton Freitas, do PR, vai votar a favor da presidente Dilma Roussef. Foto: Câmara dos Deputados.
Deputado Aelton Freitas, do PR, vai votar a favor da presidente Dilma Roussef. Foto: Câmara dos Deputados.

Com o relatório na Comissão do Impeachment favorável ao pedido de impeachment da presidente Dilma Roussef, os olhos do Brasil se voltam para a contagem de votos contra e a favor do pedido de impeachment na Câmara dos Deputados.

O site O Antagonista afirmou que a oposição já conta com 335 deputados federais a favor do impeachment de Dilma Roussef. O cálculo foi feito pelo jornalista Hélio Gurovitz, do G1, que analisou e cruzou os levantamentos feitos por três fontes: Vem Pra Rua, Estadão e Datafolha.

Esses 335 votos na Câmara dos Deputados, contudo, ainda não garantiriam a aceitação do processo de impeachment pelos deputados e sua eventual transferência para o Senado Federal, para ser definitivamente votado. Serão necessário mais sete votos, totalizando 342 votos, isto é, 2/3 dos deputados federais.

O Governo necessita de 172 votos para arquivar o processo de impeachment. Devido ao desgaste que pode gerar uma eventual posição favorável de um parlamentar ao Governo, e, portanto, contra o impeachment, outra estratégia é fazer com que parlamentares não compareçam na sessão de votação do impeachment, marcada para segunda-feira, 17 de abril. Isso faria com que nem situação nem oposição atingissem os votos necessários, o que também levaria ao arquivamento do processo.

Para evitar a evasão dos deputados federais, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, disse que vai chamar verbalmente os ausentes várias vezes e deixar para o final os deputados de Estados majoritariamente contrários ao impeachment, forçando-os a votarem já em uma situação favorável à oposição. Cunha se tornou desafeto do Governo Federal durante negociações para evitar a abertura de Comissão de Ética contra ele.

Do outro lado, o ex-presidente Lula tem sido um dos principais articuladores de Dilma. Lula também tem sido acusado de retomar velhas práticas de compra de votos de parlamentares, que ficaram conhecidas como “Mensalão”. Aelton Freitas, o deputado do PR (Partido Republicano), teria sido um destes parlamentares comprado pelo governo.

O Antagonista traz um vídeo de 2013 do nobre deputado ensinando candidatos a vereador, na cidade de Itapetinga/MG, a “arte” da compra de votos na campanha. A primeira lição é a “técnica do cartãozinho”: distribui um número determinado de cartões aos cabos eleitorais e estes repassam aos potenciais eleitores com a promessa de “comprar” o cartão de volta por R$ 100, em caso de vitória. Lição 2: difamação de opositores políticos. “Junta três ou quatro pessoas que possa tá [sic] em boteco ou em ponta de rua soltando boatos e fofocas que o Daniel vai ter que perder tempo se defendendo daquilo…”.  O deputado se defende dizendo que é um piadista. Política, para ele, é uma piada mesmo, enfatiza o Antagonista.

O PR é o partido com a maior quantidade de vereadores eleitos nas eleições de 2012 para vereador em Marília, com três cadeiras.

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