18 de November de 2018

A Gestão do Eu, por Augusto Cury

Augusto Cury é psiquiatra, psicanalista, escritor e palestrante, autor mais lido da década no Brasil.
Augusto Cury é psiquiatra, psicanalista, escritor e palestrante, autor mais lido da década no Brasil.

Em minhas palestras e conferência pelo país, eu sempre questiono meus ouvintes sobre como estão cuidando de si. A grande maioria não sabe responder. Questiono se eles possuem seguro do carro e da casa, grande parte costuma erguer as mãos, mas quando questiono se alguém tem seguro emocional, eles dão uma risada tímida e confessam que não têm.

[contextly_auto_sidebar]Os desconsertei ao afirmar que diariamente embarcamos na mais complexa viagem que podemos fazer e que ela acontece dentro da nossa mente. E por incrível que pareça, saímos completamente despreparados e mal equipados para esta viagem. Precisamos de ferramentas para sair para uma expedição, certo? Assim também é com a mente. É necessário que saibamos como gerenciá-la, como usar a ferramenta certa no momento oportuno para garantir a segurança emocional. De que adianta o Eu ter recursos para dirigir o psiquismo ou o intelecto humano se durante o processo de formação da personalidade não aprende os conhecimentos básicos desses instrumentos nem desenvolve as mínimas habilidades para operá-los?

Grandes auxiliares no processo de construção de nossas mentes são os professores. Eles têm um papel muito importante no teatro social, embora a sociedade não reconheça a sua importância da maneira que deveria. A educação moderna não forma coletivamente seres humanos que têm consciência de que possuem um Eu, de que esse Eu é construído através de mecanismos sofisticadíssimos, e de que geralmente ele está despreparado, e por isso pode ser conduzido por crises psíquicas como um barco à deriva, sem leme.

Um Eu malformado terá grandes chances de ser imaturo, ainda que seja um gigante na ciência; sem brilho, ainda que seja socialmente aplaudido; de viver de migalhas de prazer, ainda que tenha dinheiro para comprar o que bem desejar; engessado, ainda que tenha grande potencial criativo. Portanto, os professores são auxiliares, mas cada um deve tomar sua própria direção.

O que o seu Eu faz com as turbulências emocionais? Deixa-as passar, desvia-se delas ou as enfrenta? O nosso Eu deveria saber usar instrumentos para o enfrentamento e a reciclagem de suas mazelas emocionais. Mas que tipo de ferramentas ele usa diante dos medos que lhe furtam a tranquilidade? Os medos, ou fobias, vêm e aparentemente vão embora, mas, no fundo, ficam, vão sendo depositados nos bastidores da memória e pouco a pouco vão desertificando o território da emoção.

Infelizmente, o Eu é treinado a ficar calado no único lugar em que não se admite ficar quieto. É adestrado para ser submisso no único lugar em que não se admite ser um servo. É aprisionado no único ambiente em que só se é inteligente, saudável e feliz se se for livre.

Precisamos reverter esse quadro e assumir as rédeas a nossa vida, controlar nosso Eu e fornecer a ele as ferramentas necessárias para ser feliz.

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