Procurador-Geral de Justiça propõe ação para extinguir cargos comissionados na Prefeitura de Marília

Procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa. Foto: EBC.
Procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa. Foto: EBC.

O Procurador-Geral de Justiça, Márcio Fernando Elias Rosa, propôs à Justiça uma Ação Direta de Inconstitucionalidade para declarar ilegal a Lei Complementar n. 11/1991, que criou diversos cargos comissionados no âmbito da Prefeitura de Marília. O pedido foi provocado pelo Promotor do Patrimônio Público de Marília, Oriel do Rocha Queiroz.

O problema levantado é que a Lei criou cargos a serem preenchidos por livre nomeação (sem exigência de concurso público), mas não descreveu suas atribuições. Para tanto, a mesma Lei determinou que as atribuições seriam, posteriormente, definidas por meio de Decreto Municipal. A Prefeitura conta com 150 cargos comissionados, sendo 23 junto ao Gabinete do Prefeito.

Porem, a ausência de fixação de atribuições desses cargos viola a determinação da Constituição Estadual, que exige a descrição das funções de cargos comissionados em lei e não em decreto.

“Não basta a lei criar o cargo ou dar-lhe uma nominação de assessoramento, chefia ou direção, ou, ainda, reputar exigência de confiança, se não discriminar primariamente suas atribuições para viabilizar o controle de sua conformidade com as prescrições constitucionais que evidenciam a natureza excepcional do provimento em comissão”, apontou o Procurador Procurador-Geral na petição.

Na verdade, as atividades previstas nestes cargos não têm conotação de direção, chefia e assessoramento, mas posuem atribuições técnicas e operacionais, típicas de ocupantes de cargos efetivos, devendo, daí, ser preenchidos por servidores aprovados em concurso público.

Outro problema é que a Lei municipal fixou em 5%, do total de cargos existentes, o eventual mínimo de cargos em comissão da Prefeitura a serem preenchidos por servidores efetivos. Segundo Rosa. o mínimo estabelecido deve ser de 50%.

Lembrou o Procurador-Geral de Justiça “que a nossa ordem constitucional republicana privilegia a meritocracia, não o favoritismo, o nepotismo ou qualquer outro subjetivismo. E mais: “o princípio da moralidade impõe o recrutamento do pessoal que servirá ao Poder Público pelo critério do concurso público. Os cargos públicos têm de restar acessíveis a todos aqueles que, providos em razão da qualificação profissional exigida, também se mostrem merecedores de ocupá-los, após vencerem a corrida de obstáculos de um concurso sério, transparente, aberto a todos, fenômeno com o qual a Democracia não pode transigir”.

Com referência aos seis cargos de “assessor jurídico:”, nomeados sem concurso, alerta o Procurador-Geral do Ministério Público que tais atividades devem ser reservadas a advogados recrutados pelo sistema de mérito.

Agora, com o pedido da anulação da Lei, a Prefeitura e a Câmara deverão ser intimadas para prestar informações à Procuradoria de Justiça. Se julgada procedente a ação, os ocupantes desses cargos deverão ser exonerados, tal como aconteceu na Câmara e no Daem (Departamento de Água e Esgoto de Marília).

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