22 de October de 2018

Alunos da UNESP se mobilizam contra reorganização escolar

Alunos apoiam escolas ocupadas de Marília e repudiam repressão policial ocorrida no primeiro dia de ocupação da escola Sylvia Ribeiro

Em Assembleia Geral dos Estudantes que ocorreu ontem (03), os estudantes da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da UNESP de Marília deliberaram pela paralisação das atividades do dia de hoje, com trancaço do portão que dá acesso à faculdade. A mobilização é um protesto contra a reorganização escolar decretada nesta semana pelo governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin e uma forma de apoio aos estudantes secundaristas que estão ocupando mais de 200 escolas no estado, pelo mesmo motivo. A deliberação vai ao encontro de movimentos sociais e estudantes de outras universidades, como a USP, que também decidiram se mobilizar hoje contra a reorganização escolar.

Alunos paralisam as atividades da UNESP se mobilizando contra a reorganização escolar
Alunos paralisam as atividades da UNESP se mobilizando contra a reorganização escolar

A paralisação chama a atenção também para o contexto da própria faculdade, que há um ano e sete meses tem algumas de suas salas ocupadas pelo 4º  Movimento de Ocupação por Moradia, como forma de luta pela ampliação e reforma da moradia estudantil. Com 95 vagas, a moradia hoje se encontra superlotada, com aproximadamente 140 alunos e aguarda pela resposta da prefeitura em relação a uma solicitação de terreno feita há mais de um ano e meio.

Outras pautas reivindicadas pelos alunos incluem um ônibus que realize o trajeto entre a moradia estudantil e a faculdade, a contratação de assistentes sociais para o processo de atribuição dos auxílios de caráter socioeconômico, como as Bolsas de Auxílio Acadêmico e Extensão (BAAE), e ampliação do Restaurante Universitário, bem como o retorno do jantar, que há quase um ano não está sendo servido pela falta de contratação de novos funcionários.

[contextly_auto_sidebar]Todas as reivindicações estão atreladas aos fatores que possibilitam que alunos de baixa renda consigam se manter na universidade, após o ingresso. Em 2013, a UNESP aprovou o Sistema de Reserva de Vagas para Educação Básica Pública nos seus exames de vestibular, prevendo atingir o percentual de 50% de suas vagas reservadas para estudantes de escola pública no vestibular de 2018, o que faz das pautas por permanência estudantil cada vez mais urgentes.

Em nota, os alunos identificam as lutas locais com as dos alunos secundaristas, observando que os ataques que vem sendo feitos pelo governo estadual à educação afetam principalmente os alunos de baixa renda, negros e marginalizados, que serão possivelmente os mesmos a ingressar na universidade no futuro, tendo que lidar com os problemas já existentes para sua permanência na mesma. Dessa forma, eles veem a luta como uma única, em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis.

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