16 de December de 2019

Sou só eu quem espera por nota de repúdio por parte das IES da cidade à decisão da Câmara Municipal?

No final das contas, toda redução de algo complexo (estudar e formar pessoas) a algo simples (preencher cargos) nada mais é do que reduzir a história à propaganda. Contra isso não há argumentos.

Lula recebe título Honoris Causa pela Universidade de Coimbra, em Portugal | Foto: Notícias R7
Lula recebe título Honoris Causa pela Universidade de Coimbra, em Portugal | Foto: Notícias R7

Marília, capital nacional do alimento, também é conhecida e reconhecida pelas suas seis Instituições de Ensino Superior (IES): Famema, Univem, Unesp, Unimar, Fajopa e Faip. Sem contar as mais recentemente inauguradas, Católica e Uniesp. Ao todo, salvo engano, são oito Instituições de Ensino Superior.

O diploma universitário é um sonho da maioria dos brasileiros. Atualmente, por meio de programas de incentivo e financiamento do Governo Federal, é um sonho passível de realização para os brasileiros de quase todas as classes econômicas. Até mesmo o presidente Lula, famoso por ser o primeiro presidente da República sem diploma de nível superior, foi buscar, nas Universidades, reconhecimento: basta ler um pouco do noticiário sobre o assunto para perceber o esforço de Lula em ganhar inúmeros títulos de Doutor “Honoris Causa”, também um tipo de titulação acadêmica com base em conhecimento e méritos de vida.

Quem acompanhou as notícias da Câmara Municipal de Marília, desta última segunda-feira, “Vereadores aprovam fim da exigência de nível superior a secretários e medida irá beneficiar nomeação de Renata Devito“, sabe que não se exigirá mais diploma universitário (Ensino Superior) das pessoas que ocupam ou vierem a ocupar  cargos de  Secretário Municipal de Governo, Trabalho e Inclusão, Coordenador de Governo, Trabalho e Inclusão e Secretário Municipal da Juventude e Cidadania.

Com voto contrário apenas do vereador Coraíni (PTB), todos os demais vereadores de base e oposição votaram à favor da queda da exigência. O vereador Bassiga (PHC), por exemplo, se deu ao trabalho de emitir comentário rebuscado para denegrir o rebuscamento. Diz ele: “Essa questão de nível superior é relativa. Conhecemos PhDs com teorias mirabolantes pouco práticas. Se as pessoas não forem boas, devem ser tiradas da pasta”. PhD? Quem conhece PhDs por aí levanta a mão? Quem sabe o que é PhD? Suas implicações? O Brasil concede títulos de PhD? Gosto de refazer frases, sabem. Assim, “Essa questão da política mariliense é relativa. Conhecemos vereadores com projetos mirabolantes de pouco interesse da população. Se as pessoas não forem honestas, devem ser retiradas da vida pública”. 

Já o vereador Herval Rosa Seabra (PSB), com sua contraditória doce truculência, acabou exibindo o tom por detrás da votação que acabou com a exigência de Ensino Superior para certos casos na Prefeitura de Marília. Disse ele:  “O que nós precisamos é de bons gestores, não necessariamente doutores. Isso sem nenhum detrimento daqueles que estudam. Da forma como o projeto foi colocado, estamos estabelecendo o mínimo”.  Para Herval Seabra, Marília pode se contentar com “o mínimo” no que diz respeito às pastas de Governo, Trabalho e Inclusão e a de Cidadania e Juventude. Se há um mínimo, há um máximo, mas no caso da política de Marília, há interesses particulares que nos obrigam, por lei, a nos contentarmos com o mínimo do mínimo. Então, se por um lado, esta lei é aprovada “sem nenhum detrimento” a um tipo de formação, Herval e o restante dos vereadores acabam por denegrir, sim, todos aqueles que buscam um lugar ao sol pelas vias do estudo, do esforço, da inteligência e do talento. O que dizer à todos aqueles marilienses que confiam no diploma universitário?

Para todos aqueles que votaram neste governo atual, ficou claro o que podemos esperar deles quanto as questões ligadas a Trabalho, Inclusão, Cidadania e Juventude. Isso mesmo, o MÍNIMO. Ficou claro que o caso de violência contra moradores de rua da cidade, cujo Secretario de Assistência Social foi acusado de participar, deve ser visto de modo MÍNIMO. O mesmo para os protestos de estudantes em relação ao aumento do passe de ônibus. Também há o aumento da CIP e a falta do serviço sobre a iluminação pública. E claro, onde esta o pagamento do retroativos de 10 milhões de reais mais aumento real sobre salário aos servidores públicos municipais?

Caso algo relativo à cidadania, inclusão ou juventude ocorra comigo ou com você, o que eles querem? Que o MÍNIMO seja novamente estabelecido.

Agora, convenhamos, sou apenas eu quem ainda espera por uma nota de repúdio por parte das Instituições de Ensino Superior da cidade à decisão da Câmara Municipal? Tudo isso é uma vergonha. Quem quer uma cidade em busca do máximo em inclusão, cidadania e juventude vai ter que fazê-lo com as próprias mãos.

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