Daem vai pagar R$2 milhões à empresa envolvida na Lava Jacto; conta pode chegar aos R$18 milhões

Cicero Carlos da Silva, o Cícero do Ceasa (PT), denunciou que as obras do esgoto estão atrasadas porque a Prefeitura estaria pagando a OAS.
Cicero Carlos da Silva, o Cícero do Ceasa (PT), denunciou que as obras do esgoto estão atrasadas porque a Prefeitura não estaria pagando a empresa responsável pela obra.

Um dos principais motivos para a Prefeitura de Marília romper o contrato com a OAS, para a construção da obra de afastamento e tratamento do esgoto de Marília, a chamada “Obra do Século”, foi a falta de dinheiro da Prefeitura para cumprir com a contrapartida dada pela União.

O atual prefeito de Marília, Vinícius Camarinha (PSB), afirmou durante uma coletiva dada em 05 de outubro, que a quebra do contrato com a OAS havia sido elaborado com base em estudos e números diante da queda de repasses do Governo Federal aos municípios, ou seja, o município não teria cerca de R$1,3 milhão adicionais para honrar sua contrapartida na realização da obra.

Imediatamente após o anuncio da quebra do contrato, o prefeito propôs a realização de um edital para buscar uma parceria público-privado com empresa que seria responsável pela gestão do Daem e pelo término da obra do esgoto. Em outras palavras, a Prefeitura queria viabilizar a “privatização” do Daem, cujo edital de licitação proposto pela atual Administração municipal encontra-se suspenso devido a inúmeras irregularidades apontadas pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado).

Agora, e apesar da suposta falta de dinheiro para honrar sua contrapartida no investimento e finalmente terminar a “Obra do Século”, o Daem ainda terá que pagar cerca de R$ 2 milhões à construtora OAS, investigada na operação Lava Jacto, realizada pela Polícia Federal. De acordo com a OSCIP Matra, os pagamentos já estão agendados. O Daem irá desembolsar, do dinheiro do mariliense:

  • R$1 milhão no dia 05 de março, próximo sábado;
  • R$ 500 mil no dia 05 de abril;
  • R$ 500 mil no dia 05 de maio; e
  • R$421 mil no dia 05 de junho.

Além disso, a OAS deve receber, por meio de processos administrativos contra a Prefeitura de Marília, cerca de R$16 milhões do mariliense, totalizando cerca de R$ 18 milhões. A decisão do atual prefeito, Vinícius Camarinha, de romper o contrato vai trocar R$1,3 milhão de investimento na obra de afastamento e tratamento do esgoto de Marília por cerca de R$18 milhões a serem entregues à empresa OAS, uma das principais protagonistas do maior esquema de corrupção da história do Brasil?

Se isto acontecer, a cidade de Marília parece teimar em ficar do lado errado da história. Neste caso, resta ao mariliense aceitar os cerca de 40% de aumento na tarifa do esgoto e pagar suas contas em dia para que o Daem possa honrar o pagamento das prestações com a OAS.

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