O que aconteceu com a bebida favorita do brasileiro?

Carlsberg Group é um conglomerado de empresas que fabricam cerveja em vários países; a sua marca mais conhecida é a Carlsberg. A sede da empresa encontra-se em Copenhaga, Dinamarca onde foi fundada em 1847.
Carlsberg Group é um conglomerado de empresas que fabricam cerveja em vários países; a sua marca mais conhecida é a Carlsberg. Foto: Divulgação.

De acordo com o Sebrae, o Brasil é um dos maiores consumidores de cerveja e o terceiro maior produtor da bebida no mundo. A média anual de litros consumidos por cada habitante cresce ano a ano. Uma pesquisa realizada pelo Ibope em novembro de 2013 revela que a cerveja é a bebida preferida de 2/3 dos brasileiros para comemorações, com 64%.

[contextly_auto_sidebar]Contudo, o crescimento das cervejarias artesanais nos últimos anos tem causado um debate no mínimo interessante a respeito da qualidade da bebida consumida e produzida no Brasil. O surgimento deste mercado traz consigo a cultura da degustação de cerveja. E consequentemente a pergunta é inevitável: a bebida que é servida por aqui, na grande maioria dos casos, é realmente cerveja?

A resposta é não, se for seguido o critério denominado de “Reinheitsgebot”, ou seja, a Lei da Pureza da Cerveja. Esta foi promulgada em 23 de abril de 1516 pelo Duque Guilherme IV da Baviera e tinha como objetivo regular a fabricação da bebida em território alemão, diz Caio Calazans ao rub de jornalismo Blasting News. “O texto era simples, dizia que a cerveja só poderia ser feita com três ingredientes: água, malte de cevada e lúpulo.” Os cervejeiros alemães encaram esta lei como uma religião e a seguem com afinco até hoje, mais de quinhentos anos depois da proclamação da Lei da Pureza da Cerveja.

No Brasil, as grandes marcas nacionais como a Kaiser, Skol, Brahma, Antarctica, Bohemia e Itaipava substituem a cevada por outros grãos. Isso é legal, pois a legislação brasileira permite que até 45% do malte de cevada seja substituído por outras fontes de carboidratos mais barata. Assim, o que se bebe é milho transgênico, por duas razões: o grão existe em abundância no país; e reduz drasticamente o custo das cervejarias.

Para informar o consumidor, o rótulo das marcas nacionais apresenta simplesmente a expressão ‘cereais não maltados’ no lugar do malte de cevada. Calazans informa que a ‘nova fórmula’ da bebida no Brasil “começou a ser posta em prática a partir de 2007, quando o Ministério da Ciência e Tecnologia liberou a comercialização de milho transgênico em território nacional.”

Com a mudança, degustadores de cerveja Brasil afora pagam entre R$ 15 e R$ 20 em média por uma garrafa da bebida original, feita com malte de cevada. Assim, a cerveja se junta a produtos como carros, computadores, maquiagens e roupas ‘de marca’, que apresentam preços exorbitantes no Brasil e são mais em conta no exterior.

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