23 de October de 2018

Uma política e as duas faces do mariliense

Horizonte de Marília ao anoitecer. Fonte: Evandro Rocha
Horizonte de Marília ao anoitecer. Fonte: Evandro Rocha

Marília é notoriamente uma cidade conservadora, no mau sentido da palavra. Detém em seus quadros políticos homens públicos com uma imensa “capivara” de crimes contra a coisa pública, fraude em licitação de merendas escolares municipais, desvio de verbas, abuso de poder econômico e de mídia em eleições, perseguição política, estas coisas. O que explica as perpetuações no poder senão o medo de mudar?

[contextly_auto_sidebar]O caso mais evidentemente mariliense é o do atual Presidente da Câmara Municipal de Marília, Herval Rosa Seabra (PSB). Condenado recentemente por crime de peculato (desvio de dinheiro público para o próprio bolso) na década passada, enquanto era o atual Presidente da Câmara Municipal de Marília, Herval se encontra hoje… na mesma posição, enquanto aguarda julgamento de recurso no Tribunal em São Paulo.  Ou seja: como atual Presidente da Câmara Municipal de Marília (isso mesmo, atual=2016), ele ainda é o principal articulador político da Administração de Vinícius Camarinha (PSB) na Câmara.

Mas para estes, a face destes rostos é conhecida na cidade, inclusive pela população e nos órgãos da Justiça mariliense. Conseguem enganar, ainda, mas com a conivência de outros, estes sim, de duas faces.

O que mantém estes políticos no poder é o silêncio dos marilienses de duas faces, puxa sacos ou que não se posicionam publicamente por medo de retaliação, de agressão. Lê-se com certa frequência sobre as lideranças de instituições representativas apoiarem fulano ou beltrano, lá em São Paulo ou em Brasília, que se pronunciou contra a CPMF, contra a corrupção na esfera federal, contra isso e aquilo. Ah! Que bom! Mas falam de lá. E aqui?

Acho que somos todos contra a CPMF. Mas ainda não se vê estes marilienses, de duas faces, dizerem qualquer coisa a respeito da possível inconstitucionalidade na cobrança da CIP (Contribuição para Custeio da Iluminação Pública) — a taxa de iluminação pública na fatura de energia elétrica dos contribuintes, cobrada pela Prefeitura Municipal de Marília, mas que, por sua vez, não oferece o serviço. Por que não se manifestam? Estamos pagando por algo que não nos é oferecido como serviço público municipal.

Acho que somos todos contra a corrupção na esfera federal. Mas ainda não se vê estes marilienses, de duas faces, dizerem qualquer coisa a respeito da condenação do atual Presidente da Câmara Municipal de Marília por desvio de dinheiro público. Por que não se manifestam? Enquanto pré-julgam aqueles acusados por corrupção em São Paulo ou em Brasília, se silenciam sobre os condenados por corrupção em Marília.

O que Marília precisa é da definição clara de dois lados no campo político, e não de pessoas obscuras com duas faces.

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